Quatorze pessoas são condenadas na Operação Terra Fértil por organização criminosa
Grupo com base em Uberlândia lavou milhões por meio de empresas de fachada; líderes receberam penas superiores a 21 anos
O Ministério Público Federal (MPF) condenou 14 pessoas envolvidas em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas, investigado na Operação Terra Fértil.
O grupo, que atuou entre 2019 e 2024, tinha parte de suas operações sediadas em Uberlândia e mantinha conexões com outros estados. As penas aplicadas pela Justiça variam de oito a 21 anos de prisão.

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Segundo o MPF, a quadrilha utilizava uma rede de empresas de fachada para movimentar milhões em recursos ilegais. A estrutura envolvia uma divisão clara de funções: líderes que financiavam e comandavam as operações, “laranjas” que emprestavam seus nomes para abertura de negócios falsos e um núcleo contábil responsável por manipular documentos e simular transações.
As autoridades começaram a investigar a organização criminosa em 2024, quando foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, além de quatro mandados de prisão.
Compras de alto padrão investigadas na Operação Terra Fértil
Ao menos seis empresas foram usadas para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras. Embora registradas com atividades como comércio de alimentos e criação de gado, elas operavam com valores muito acima do que declaravam.
As investigações revelaram que o grupo usava diferentes técnicas para esconder a origem do dinheiro, como operações bancárias fracionadas, remessas clandestinas e investimentos em criptoativos. Parte dos valores acabava reinserida na economia formal por meio da compra de imóveis de luxo em Uberlândia, aquisição de aeronaves, veículos de alto valor e outros ativos.

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Penas e perda de bens
Dois réus apontados como líderes receberam as maiores penas: 21 anos e 1 mês de prisão cada. Os integrantes do núcleo operacional, que atuavam como “testas de ferro”, foram condenados a penas entre 10 e 17 anos, enquanto o núcleo contábil recebeu sentenças de 8 a 10 anos. Um dos acusados, envolvido apenas na negociação de aeronaves, foi condenado a 8 anos e 10 meses.
A Justiça determinou também a reparação de R$ 508,6 milhões pelos danos causados e decretou a perda definitiva de todos os bens apreendidos, além da suspensão dos CNPJs das empresas de fachada. Um dos condenados, que atuava como agente de segurança prisional, perdeu o cargo público.