Operação Via Pecuniam: PC identifica um dos maiores distribuidores de cocaína de Minas
Ação investiga rede milionária de tráfico e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 80 milhões; polícia apreendeu joias e veículos de alto valor
“Identificamos um dos maiores distribuidores de cocaína de Minas Gerais. A investigação mostrou o caminho da droga desde a tríplice fronteira até o Triângulo Mineiro, onde o entorpecente era distribuído para o restante do país”, afirmou o delegado Vinícius Ramalho, durante coletiva à imprensa nesta quinta-feira (23), em Araxá.
A declaração resume o alcance da Operação Via Pecuniam, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que resultou em 30 prisões, 25 veículos de luxo apreendidos, entre eles um Porsche, além de joias, armas, pedras preciosas e empresas usadas para lavagem de dinheiro.
Segundo os investigadores, a ação desmantela uma das maiores redes de tráfico e lavagem de dinheiro do estado, com movimentação financeira superior a R$ 80 milhões.

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Esquema se estendia por várias cidades
A operação teve origem em Araxá e foi conduzida pela 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil, com apoio de mais de 300 agentes. As ordens judiciais também foram cumpridas em Uberlândia, Uberaba, Tapira, Frutal, Ituiutaba, Canápolis, Ibirité, Montes Claros e até em Foz do Iguaçu (PR).
A delegada Fernanda Pires Passarini, que coordena a equipe de combate ao narcotráfico em Araxá, detalhou que 23 prisões temporárias e 35 mandados de busca e apreensão foram expedidos na cidade.
“Aqui em Araxá, cerca de 14 pessoas foram presas e 10 veículos apreendidos, incluindo modelos de luxo. Um dos alvos movimentou R$ 24 milhões em apenas três anos, utilizando uma loja de celulares no bairro Boa Vista para dar aparência legal ao dinheiro”, afirmou a delegada.

Lavagem de dinheiro e empresas de fachada
Os investigadores descobriram que a organização criminosa usava empresas de fachada, fintechs e apostas esportivas para ocultar a origem do dinheiro. A operação, que recebeu o nome em latim Via Pecuniam, “pelo caminho do dinheiro”, revelou como os criminosos criaram uma rede empresarial de fachada para movimentar milhões sem levantar suspeitas.
“A lavagem de dinheiro consiste em dar aparência lícita a valores oriundos do crime. Essas pessoas compravam imóveis, veículos e empresas sem ter capital correspondente, movimentando altos valores por meio de terceiros e contas fantasmas”, explicou Fernanda Passarini.
Além dos bloqueios de bens e valores, 120 contas bancárias foram alvo de sequestro judicial.
Operação Via Pecuniam segue em novas fases
A Operação Via Pecuniam ainda está em andamento e deve avançar para novas fases nos próximos meses. As equipes pretendem identificar novos envolvidos e aprofundar a análise das transações financeiras. “Essa é apenas a primeira etapa. Temos indícios de ligação da quadrilha com fintechs e empresas de apostas. É uma investigação complexa e em expansão”, reforçou o delegado Luís Gustavo Colibeira, da equipe de apoio.