Operação mira golpe da chopeira falsa; 1ª denúncia veio de Ituiutaba

Grupo anunciava produtos online, não entregava mercadorias e fazia valores pagos desaparecerem; em Minas Gerais, foram registrados ao menos 61 casos

, em Uberlândia

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Um esquema interestadual de golpes na venda de chopeiras pela internet, em que consumidores pagavam e não recebiam os produtos, foi alvo de uma operação nesta quinta-feira (19) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A primeira denúncia foi feita por um consumidor de Ituitaba, no Triângulo Mineiro.

A Operação Triângulo dos Barris teve como objetivo desarticular um esquema de estelionato digital envolvendo a venda fraudulenta de chopeiras e barris de chope pela internet. As investigações apontam que os produtos anunciados nunca eram entregues e o dinheiro das vítimas desaparecia.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados a dois suspeitos, nas cidades de São Paulo (SP) e Sorriso (MT).

Operação do MPMG cumpriu mandados em São Paulo e Mato Grosso contra suspeitos de aplicar golpes na venda de chopeiras pela internet – Crédito: MPMG

Durante a operação, foram apreendidos três celulares, um notebook, um tablet e documentos, material que será periciado. O objetivo é identificar a extensão do prejuízo causado, rastrear o destino dos valores pagos e reunir provas para eventual ação penal.

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Um dos investigados também foi preso em flagrante ao ser abordado em um veículo com duas pepitas e uma aliança de ouro, sem autorização legal. Ele foi conduzido por suspeita de usurpação de matéria-prima pertencente à União. Além dos objetos, outros dois celulares foram apreendidos, e o carro foi removido por estar com o licenciamento vencido.

A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber), com apoio de forças de segurança de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.

A investigação

Segundo o promotor de Justiça André Salles, a investigação teve início a partir da denúncia de uma vítima em Ituiutaba, o que levou à identificação de um possível esquema com atuação em diferentes estados. Ele destacou que, só em Minas Gerais, já foram registrados ao menos 61 boletins de ocorrência relacionados ao grupo.

Ainda de acordo com o promotor, as apurações indicam que os investigados simulavam operar no modelo de “dropshipping”, mas sem qualquer estrutura real de fornecimento. “Na prática, o consumidor pagava por um produto que não recebia e também não tinha o valor devolvido”, explicou.

Leia mais: entrevista com Luciano Salles, presidente da OAB Uberlândia, sobre o golpe do falso advogado

Salles também chamou atenção para a dimensão do caso, que vai além dos registros policiais. Segundo ele, levantamentos em sites especializados apontam quase 50 mil reclamações de consumidores, o que indica a existência de milhares de possíveis vítimas em todo o país.

Outro ponto ressaltado é que os materiais apreendidos, incluindo celulares, notebook, tablet e documentos, serão fundamentais para aprofundar as investigações, permitindo rastrear a atuação do grupo, identificar outros envolvidos e mapear o destino do dinheiro obtido com os golpes.

Como funcionava o golpe da chopeira falsa

Segundo o MPMG, os suspeitos utilizavam redes sociais, como Instagram e Facebook, para anunciar chopeiras e barris a preços atrativos. Para justificar atrasos ou a não entrega dos produtos, alegavam operar no modelo conhecido como “dropshipping”, em que o vendedor atua como intermediário entre consumidor e fornecedor.

No entanto, as investigações indicam que o fornecedor era inexistente. Na prática, os produtos nunca eram enviados e os valores pagos não eram devolvidos.

Alcance e vítimas

As apurações apontam que, ao longo de cerca de três anos, a empresa investigada acumulou quase 50 mil reclamações em plataformas de defesa do consumidor, indicando alcance nacional. Somente em Minas Gerais, foram registrados ao menos 61 boletins de ocorrência relacionados ao caso.

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Como denunciar

Vítimas podem procurar a Ouvidoria do MPMG para relatar o caso, que será encaminhado ao Gaeciber. É recomendado apresentar documentos que comprovem a fraude, como comprovantes de pagamento, boletim de ocorrência e documento de identificação.

Orientações para evitar golpes

O Ministério Público orienta consumidores a adotarem cuidados ao realizar compras online, como desconfiar de preços muito abaixo do mercado, verificar a reputação da empresa, analisar os canais de atendimento e evitar pagamentos que dificultem o rastreamento, como PIX ou boleto sem verificação prévia dos dados.