Operação Deepswap prende suspeitos de golpe do WhatsApp e bloqueia quase R$ 2 milhões
Investigação iniciada em Minas Gerais identificou organização criminosa com atuação em diversos estados; grupo controlava centenas de contas bancárias e chaves Pix
A Operação Deepswap resultou na prisão de quatro suspeitos nesta quinta-feira (18) e revelou a dimensão de um esquema criminoso especializado em fraudes eletrônicas e no chamado “golpe do WhatsApp”. A investigação, conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), aponta que o grupo movimentava recursos por meio de centenas de contas bancárias e teria causado prejuízos superiores a R$ 2 milhões em diferentes estados do país.
A ação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão a Fraudes de Frutal, no Triângulo Mineiro, com apoio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos de Goiás. Ao todo, a Justiça expediu oito mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. Quatro investigados foram localizados e presos em Goiânia. Outros quatro continuam sendo procurados, incluindo um suspeito que estaria em Portugal.

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Operação Deepswap bloqueia patrimônio e mira lavagem de dinheiro
Além das prisões, a Justiça autorizou medidas patrimoniais contra os investigados. Foram determinados bloqueios bancários, sequestro de bens e indisponibilidade de valores que somam quase R$ 2 milhões. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente R$ 1 milhão em patrimônio já foi identificado, incluindo imóveis e veículos vinculados aos suspeitos.
As autoridades acreditam que os valores podem ser ainda maiores após a análise dos dados obtidos por meio das quebras de sigilo bancário e fiscal autorizadas durante a investigação.
Esquema começou com golpe contra defensor público
As apurações tiveram início após o registro de uma fraude envolvendo um defensor público. De acordo com a investigação, criminosos conseguiram assumir o controle da linha telefônica da vítima, acessar contas vinculadas ao WhatsApp e realizar transferências bancárias e compras não autorizadas. O prejuízo inicial foi estimado em cerca de R$ 70 mil.
A partir desse caso, os investigadores descobriram uma estrutura criminosa muito mais ampla, que atuava de forma organizada e utilizava diferentes mecanismos para ocultar a movimentação financeira.
Grupo controlava 226 contas e cerca de 250 chaves Pix
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a estrutura financeira utilizada pela organização. A Polícia Civil identificou 226 contas bancárias e aproximadamente 250 chaves Pix ligadas ao grupo. Segundo os levantamentos, as contas eram utilizadas para receber, movimentar e dispersar os valores obtidos com as fraudes, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, dispositivos eletrônicos, documentos e veículos. Todo o material passará por perícia e poderá auxiliar na identificação de novas vítimas e de outros envolvidos.
Vítimas foram identificadas em quatro estados
Até o momento, a investigação identificou vítimas em Minas Gerais, Goiás, Ceará e Mato Grosso. Há registros de prejuízos em cidades como Frutal, Patos de Minas, Araxá e Nanuque, em Minas Gerais; São Cristóvão, no Ceará; Jaciara, no Mato Grosso; e Jaraguá, em Goiás.
A Polícia Civil acredita que o número de vítimas possa ser maior e segue analisando documentos e equipamentos apreendidos durante a operação.
O significado da Operação Deepswap
O nome da operação faz referência ao método utilizado pelos investigados para acessar dados das vítimas. Segundo a Polícia Civil, o termo “deep” remete à complexidade e ao nível de sofisticação do esquema. Já “swap” faz referência à troca indevida de linhas telefônicas, técnica utilizada para assumir o controle de aplicativos de mensagens, contas bancárias e outros serviços digitais.
As investigações continuam para localizar os foragidos, aprofundar a análise da movimentação financeira e identificar todos os integrantes da organização criminosa.
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