Operação Anúbis: o que se sabe sobre as mortes investigadas no Hospital Anchieta, no DF

Polícia Civil aponta indícios de homicídio doloso e não descarta outras vítimas

, em Uberlândia

-

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga três mortes ocorridas dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, tratadas como homicídios dolosos. O caso é apurado no âmbito da Operação Anúbis, deflagrada em janeiro deste ano.

Operação Anúbis
O técnico teria aplicado desinfetante intravenoso por mais de dez vezes em uma das vítimas – Crédito: Divulgação/PCDF

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no Instagram

Segundo a corporação, as mortes ocorreram nos dias 19 de novembro (dois casos) e 1º de dezembro de 2025. As investigações apontam que os pacientes morreram após a aplicação intencional de substâncias indevidas diretamente na veia, o que provocou paradas cardíacas em poucos segundos.

Como os crimes teriam ocorrido

De acordo com o delegado Wisllei Salomão, as provas reunidas até o momento são consideradas robustas. Imagens das câmeras de segurança, prontuários médicos e perícias indicam que um técnico de enfermagem se passou por médico ao acessar o sistema hospitalar, que estava aberto, e realizou prescrições indevidas.

Ainda segundo a investigação, ele buscava os medicamentos na farmácia do hospital, preparava as substâncias, escondia as seringas no jaleco e aplicava o conteúdo diretamente na veia dos pacientes, procedimento proibido e potencialmente letal.

Em um dos casos, quando o medicamento acabou, o técnico teria aplicado desinfetante intravenoso por mais de dez vezes em uma das vítimas, o que também levou à morte.

Tentativa de disfarçar os crimes

Após provocar as paradas cardíacas, o técnico ainda participava das manobras de reanimação, segundo a polícia, numa tentativa de disfarçar a autoria dos crimes, já que outros profissionais estavam presentes nos leitos no momento das ocorrências.

Participação de outras técnicas de enfermagem

Duas técnicas de enfermagem também são investigadas e foram presas temporariamente. Conforme a PCDF, elas sabiam qual substância estava sendo utilizada, tinham conhecimento de que a aplicação direta na veia poderia causar morte e, mesmo assim, não intervieram.

Imagens mostraram que as profissionais chegaram a vigiar a porta dos quartos para evitar a entrada de outras pessoas durante a aplicação das substâncias.

Prisões e fases da operação

A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro, quando dois investigados foram presos temporariamente e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO).

A segunda fase ocorreu em 15 de janeiro, com a prisão de uma terceira investigada e a apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Os suspeitos respondem por homicídio qualificado, cuja pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada crime.

Perícia e possibilidade de novas vítimas

A Polícia Civil não descarta a existência de outras vítimas. Segundo o Instituto de Criminalística, cerca de 20 laudos periciais estão em elaboração, envolvendo análise de vídeos, sistemas corporativos, prontuários médicos e registros digitais.

A investigação também vai apurar se houve mortes com o mesmo padrão em outros hospitais onde os investigados trabalharam nos últimos cinco anos, tanto na rede pública quanto privada.

Hospital

Em nota, o Hospital Anchieta informou que identificou circunstâncias atípicas nos óbitos, instaurou um comitê interno de apuração, demitiu os envolvidos e acionou a Polícia Civil. A instituição afirma colaborar integralmente com as investigações e reforçou que o caso tramita em segredo de Justiça.