Helicóptero tem caixa-preta? Entenda o que acontece após um acidente aéreo e como é feita a reconstituição dos últimos momentos antes da queda
O Bell 430 que transportava o cantor Rick não tinha, necessariamente, obrigação de usar gravadores de voo; veja quais dados podem ajudar o CENIPA a reconstruir os últimos minutos da aeronave
O helicóptero Bell 430 que transportava o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, tinha caixa-preta? A dúvida surgiu depois que a aeronave desapareceu e foi encontrada na segunda-feira (21), em Santa Catarina com os cinco ocupantes mortos.
A resposta não é tão simples quanto no caso dos aviões comerciais. Nem todo helicóptero precisa ter os equipamentos conhecidos como caixa-preta. Mesmo sem esses gravadores, porém, investigadores conseguem reunir diferentes informações para descobrir o que aconteceu nos últimos minutos de voo.
No caso da aeronave de Rick, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que o helicóptero tinha um equipamento capaz de enviar um sinal de emergência. O problema é que nenhum sinal foi recebido durante as buscas. Mas, afinal, o que é uma caixa-preta? O que ela grava? E como é possível investigar uma queda quando esses equipamentos não estão disponíveis?
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

O que é a caixa-preta?
Apesar do nome, a caixa-preta não é necessariamente uma única caixa. O termo é usado para identificar equipamentos que registram informações importantes de um voo.
Um deles grava sons e conversas dentro da cabine, incluindo a comunicação entre os pilotos. Outro registra dados do voo, como informações relacionadas à altitude, velocidade e funcionamento da aeronave.
Esses registros podem ajudar os investigadores a entender o que aconteceu pouco antes de um acidente.

Todo helicóptero precisa ter caixa-preta?
Não. As regras da aviação variam de acordo com características como o tipo de aeronave, a operação realizada e a quantidade de pessoas que ela pode transportar.
Por isso, não é correto dizer que todo helicóptero é obrigado a ter os mesmos equipamentos de gravação usados em grandes aviões comerciais.
No caso do Bell 430, a presença de uma caixa-preta não pode ser presumida apenas pelo modelo da aeronave.
E o equipamento de emergência do helicóptero de Rick?
O helicóptero que transportava Rick tinha um ELT (Transmissor Localizador de Emergência). Apesar de também ajudar em situações de emergência, o ELT não é a mesma coisa que uma caixa-preta.
A função dele é enviar um sinal que pode ajudar as equipes de busca a localizar uma aeronave em situação de emergência.
A FAB confirmou ao Paranaíba Mais que o equipamento do helicóptero estava registrado e que os dados de contato de emergência estavam atualizados. Mesmo assim, nenhum sinal do ELT foi recebido na frequência de 406 MHz após o desaparecimento da aeronave.
A FAB também informou que não identificou tentativa de transmissão ou sinal residual do equipamento.
LEIA MAIS!
- FAB confirma que helicóptero de Rick tinha sistema para emitir alerta, mas nenhum sinal foi captado
- Helicóptero de Rick enfrentou baixa visibilidade antes da queda? Especialista explica
- Corpos de Rick Sollo e das outras quatro vítimas são resgatados em SC
Como encontrar um helicóptero sem sinal de emergência?
A falta do sinal não significa que as equipes ficam sem pistas. Quando uma aeronave desaparece ou não consegue mais ser localizada, a FAB inicia procedimentos de Busca e Salvamento (SAR).
As equipes podem usar aeronaves, helicópteros, drones, equipes em terra e outras ferramentas para tentar encontrar o local onde a aeronave está. No caso do helicóptero de Rick, informações obtidas a partir dos celulares das vítimas ajudaram a reduzir a área de buscas.
Dois pontos passaram a ser considerados prioritários: Morro Agudo e Santa Bárbara. Os destroços foram finalmente avistados por uma aeronave da FAB e a localização foi repassada às equipes em terra.
Como descobrir o que aconteceu sem caixa-preta?
Depois que a aeronave é encontrada, começa um trabalho de investigação que vai muito além de procurar uma caixa-preta.
O CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão da Força Aérea responsável por investigar acidentes de aviação, reúne diferentes pistas para tentar reconstruir os últimos momentos do voo.
Uma das fontes são os dados de radar e do controle de tráfego aéreo. Eles podem mostrar por onde a aeronave passou, além de informações sobre sua altitude e trajetória.
As comunicações de rádio também podem ser analisadas. Os investigadores verificam o que foi conversado entre o piloto e os órgãos de controle antes do acidente.
Os destroços também contam uma história
A própria aeronave pode fornecer informações importantes.
Os investigadores analisam como os destroços ficaram espalhados, os danos provocados pelo impacto e as condições de diferentes partes do helicóptero. Também podem ser examinados instrumentos, motores, comandos e outros componentes.
Essas informações ajudam a entender, por exemplo, como a aeronave estava no momento do impacto e quais sistemas estavam funcionando ou apresentavam problemas.
O tempo também entra na investigação
As condições do tempo no momento do voo são outro ponto analisado.
O helicóptero caiu em uma região da Serra Catarinense marcada por montanhas, vegetação fechada e condições de baixa visibilidade.
Segundo o gerente de segurança operacional João Lucas Neiva Lisboa, uma mudança das condições visuais para uma situação em que o piloto precise depender dos instrumentos pode aumentar o risco de perder a noção de direção e posição da aeronave.
Isso, porém, não significa que o mau tempo tenha causado a queda.
O especialista ressaltou que ainda é cedo para apontar uma causa. A conclusão depende da investigação realizada pelo CENIPA.
“É muito prematuro estar dizendo isso. Isso fica a cabo do CENIPA, que é o órgão responsável pela investigação do acidente.”
Vídeos e celulares também podem ajudar
Além dos equipamentos da aeronave, os investigadores podem analisar celulares, vídeos, fotos e relatos de testemunhas. No caso do helicóptero de Rick, o videomaker Paulo Soares, que estava entre os ocupantes, publicou imagens minutos antes do desaparecimento.
Registros feitos por pessoas que estavam na região também podem ajudar a estabelecer uma sequência dos acontecimentos.
Quando todas essas informações são reunidas, os investigadores conseguem montar uma espécie de linha do tempo para entender o que aconteceu antes, durante e depois do acidente.
Por que o ELT pode não ter enviado sinal?
A FAB confirmou que o helicóptero tinha o equipamento registrado, mas não recebeu nenhum sinal durante as buscas. Isso, porém, não permite concluir que o ELT estava com defeito.
Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o funcionamento do equipamento depende do sistema instalado na própria aeronave.
Por isso, sem uma análise técnica do helicóptero, não é possível afirmar se houve falha, se o equipamento foi danificado no acidente, se não chegou a ser acionado ou se ocorreu algum outro problema.
Essa é uma das questões que podem ser analisadas durante a investigação.
O que acontece depois que a aeronave é encontrada?
Com a localização dos destroços, os investigadores passam a preservar o local e recolher informações que possam ajudar a explicar o acidente.
Essa etapa inclui a documentação da área, a análise das partes do helicóptero e a coleta de outros elementos importantes.
Depois, os materiais podem ser examinados em laboratório. Os investigadores também analisam documentos da aeronave, informações sobre manutenção, condições meteorológicas, experiência dos pilotos e outros dados relacionados ao voo.
O objetivo do trabalho do CENIPA é descobrir o que contribuiu para o acidente e como evitar que uma ocorrência semelhante volte a acontecer.
O que aconteceu com o helicóptero de Rick?
O Bell 430 desapareceu na segunda-feira (21), durante um voo em Santa Catarina. Além do cantor Rick Sollo, estavam na aeronave o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Os destroços foram encontrados na terça-feira (22), após horas de buscas. Os cinco ocupantes morreram.
A queda é investigada pelo CENIPA, que ainda precisa analisar as evidências para determinar as circunstâncias e os fatores que contribuíram para o acidente. Até o momento, a causa da queda não foi determinada.
Para acompanhar as novas informações sobre o acidente com o cantor Rick e as principais notícias do Brasil, acesse o Portal Paranaíba Mais.