Golpe em venda de suplementos leva a bloqueio de R$ 1 bilhão em MG

Operação Casa de Farinha aponta uso de livros digitais para reduzir impostos e possíveis irregularidades sanitárias na produção

, em Uberlândia

Uma operação de grande porte aconteceu na manhã desta quarta-feira (25) em Minas Gerais e Goiás para desarticular um esquema estruturado de fraudes tributárias envolvendo empresas de suplementos alimentares e marketing digital. A ação resultou no cumprimento de 19 mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão em bens dos investigados.

Coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (CIRA-MG), a Operação Casa de Farinha apura crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, além de possíveis delitos contra a saúde pública e o consumidor.

Operação cumpre mandados em Minas Gerais e Goiás e investiga fraude tributária com venda de suplementos e uso de e-books para reduzir impostos – Crédito: MPMG/Divulgação

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

As investigações apontam que o grupo utilizava uma estratégia para reduzir ilegalmente o pagamento de impostos ao vincular a venda de suplementos a livros digitais. Na prática, segundo auditores fiscais, a maior parte do valor das notas fiscais era atribuída a e-books, que possuem imunidade tributária, enquanto o produto físico era declarado com valor reduzido.

De acordo com a apuração, em muitos casos os consumidores sequer recebiam os livros digitais mencionados nas notas. Em outros, havia a inclusão de múltiplos e-books sem correspondência real com a compra. A prática teria sido usada entre 2023 e 2024. Já a partir de 2025, parte das vendas passou a ser realizada sem emissão de nota fiscal.

Autoridades detalharam operação que investiga esquema de fraudes tributárias e irregularidades na venda de suplementos em Minas Gerais e Goiás – Crédito: MPMG/Divulgação

O esquema envolvia uma estrutura empresarial com produção em Arcos (MG), distribuição por meio de uma filial e comercialização por mais de 300 empresas, que atuavam diretamente com o consumidor final. Mais de 1 milhão de CPFs foram identificados como compradores, com faturamento superior a R$ 400 milhões, sendo cerca de 60% dos valores vinculados aos supostos conteúdos digitais.

Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda, o prejuízo estimado aos cofres públicos de Minas Gerais ultrapassa R$ 100 milhões.

Além das irregularidades fiscais, a operação também apura possíveis riscos à saúde. Fiscalizações identificaram problemas como uso de produtos vencidos, armazenamento inadequado, rotulagem em desacordo com a legislação e comercialização de itens sem as propriedades anunciadas.

×

Leia Mais

A atuação do grupo nas redes sociais também chamou a atenção dos investigadores. Os envolvidos ostentavam bens de alto valor e, segundo a polícia, divulgavam a própria estratégia de negócio, incluindo a estrutura utilizada para reduzir tributos.

Dois suspeitos apontados como articuladores do esquema foram presos. De acordo com a Polícia Civil, eles seriam responsáveis por estruturar e difundir o modelo fraudulento, inclusive ensinando a prática a outros comerciantes, dentro e fora de Minas Gerais.

Equipamento utilizado na produção de cápsulas foi alvo de fiscalização durante operação que apura irregularidades sanitárias e tributárias – Crédito: MPMG/Divulgação

A operação teve alvos em cidades do Centro-Oeste mineiro, como Arcos, Campo Belo e Lagoa da Prata, além de municípios em Goiás. Também foram realizadas ações em locais como Governador Valadares (MG) e Caldas Novas (GO).

Participaram da ação promotores do Ministério Público de Minas Gerais, policiais civis e militares, auditores fiscais, além de agentes da Anvisa e da Vigilância Sanitária. As investigações começaram em 2025, após denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público.