Namorado matou com ‘mata-leão’ e finalizou enforcamento com corda de varal, diz inquérito
Delegacia conclui investigação sobre feminicídio em Uberlândia e detalha como suspeito matou a motorista Vanessa Jussara e tentou ocultar o crime
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A Polícia Civil concluiu o inquérito que apura o feminicídio da motorista de aplicativo Vanessa Jussara da Silva, de 38 anos, ocorrido em Uberlândia. Um vídeo obtido pela TV Paranaíba mostra o momento em que policiais militares localizam o corpo da vítima em uma área de mata, na zona rural da cidade. O cadáver foi encontrado às margens de uma estrada vicinal, em meio a um arbusto.
De acordo com o delegado de Homicídios, Carlos Fernandes, o autor confesso, Romário dos Santos Cruz, foi indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver. Ele asfixiou Vanessa com as mãos, aplicou um golpe de “mata-leão” e, em seguida, utilizou uma corda de varal para concluir o enforcamento. “Ele agiu de forma fria, calculada, e ainda tentou criar um álibi para despistar as investigações”, afirmou o delegado.
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O suspeito confessou que havia marcado um encontro com a motorista na noite de sábado (4), quando os dois consumiram cerveja na casa dele. Durante a conversa, a vítima teria comentado que não estava se relacionando apenas com ele e que sairia com outros homens naquela noite.
“Segundo a versão dele, nesse momento perdeu a cabeça e a esganou. Depois, foi até o varal, pegou uma corda e completou o ato enforcando a vítima dentro da sua própria casa”, explicou o delegado de Homicídios, Carlos Fernandes.
Após o crime, Romário dos Santos colocou o corpo no porta-malas do carro, da própria vítima, e abandonou o veículo em outro bairro. Depois, seguiu a pé para casa, simulando não saber do paradeiro de Vanessa.
Veja o momento em que a polícia encontra o corpo de Vanessa Jussara
Suspeito tentou enganar a polícia com mensagens falsas
De acordo com as investigações, o suspeito enviou mensagens e áudios pelo WhatsApp, fingindo preocupação e tentando demonstrar que procurava pela companheira. Prints das conversas, enviados pela família à PC, foram anexados ao processo como indícios de tentativa de simulação de inocência.
O corpo foi encontrado em uma mata próxima ao Parque Estadual do Pau Furado, em Uberlândia, quatro dias após o desaparecimento, já em estado de decomposição.
Feminicídio em Uberlândia: relembre o caso
Vanessa Jussara desapareceu no dia 4 de outubro, depois de sair para trabalhar como motorista de aplicativo. O carro, um Renault Sandero branco, foi localizado dias depois no bairro Dom Almir, sem vestígios da motorista.
Familiares e amigos iniciaram uma campanha nas redes sociais, pedindo ajuda para encontrá-la. Durante o período de buscas, o suspeito, que mantinha um relacionamento com Vanessa Jussara havia cinco meses, chegou a visitar a família da vítima e se sentar à mesa com eles, fingindo preocupação.
No dia 9 de outubro, Romário foi preso na casa dos pais, em uma chácara, e confessou o crime, levando os agentes até o local onde havia escondido o corpo. “Ele asfixiou a mulher com as mãos, usou uma corda de varal e, posteriormente, ocultou o corpo no porta-malas do carro que ela usava para trabalhar”, detalhou o delegado Carlos Fernandes.
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Sepultamento e pedido de Justiça
O corpo de Vanessa Jussara foi sepultado no Cemitério Campo do Bom Pastor, em Uberlândia. A família, que acompanhou todo o trabalho da polícia, pede justiça e quer que o caso sirva de alerta para outras mulheres em relacionamentos abusivos.
“Minha mãe era minha base, minha força. Quero que ele pague pelo que fez”, disse Ana Júlia, filha mais velha da vítima, em entrevista à TV Paranaíba. Veja a entrevista da filha da vítima: