Falsa couve: mulher de 37 anos que morreu após intoxicação em Patrocínio será sepultada em Guimarânia

Claviana Nunes da Silva deixou dois filhos pequenos e o marido, que segue internado na UTI; caso acende alerta sobre planta tóxica confundida com couve tradicional

Eloisa Oliveira e Matheus Borsato , em Uberlândia

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A morte de Claviana Nunes da Silva, de 37 anos, vítima da intoxicação provocada pela planta Nicotiana glauca, conhecida como falsa couve, comoveu moradores de Guimarânia e de toda a região. O caso, registrado na última semana em Patrocínio (MG), reforça o alerta das autoridades sobre o risco de consumir plantas sem origem confirmada.

Natural de Patos de Minas, Claviana viveu grande parte de sua vida em Guimarânia, cidade onde será sepultada nesta terça-feira (14). O velório acontece a partir das 9h, na Funerária do Baiano, localizada na rua Pedro Machado, em frente ao Poliesportivo Municipal. O sepultamento está previsto para ocorrer no Cemitério Municipal de Guimarânia, às 17h.

A vítima deixa o marido João Batista, de 60 anos, que também foi intoxicado e permanece internado na UTI da Santa Casa de Patrocínio, além de dois filhos pequenos, uma menina de cerca de 4 anos e um menino de 2 anos. Claviana Nunes é filha de Antônio e Zélia (em memória) e irmã de Edinei Nunes, conforme nota de falecimento divulgada pela funerária.

Claviana Nunes da Silva, de 37 anos, vítima da falsa couve
Claviana Nunes da Silva, 37 anos, morreu após a intoxicação causada pela falsa couve em Patrocínio – Crédito: Reprodução/Redes sociais

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Estado de saúde das outras vítimas

De acordo com o boletim médico mais recente, o homem de 60 anos, marido de Claviana, continua em ventilação mecânica e sob sedação, mas apresenta função renal preservada. Outro trabalhador da fazenda, de 64 anos, ainda apresenta confusão mental leve, mas está estável e deve receber alta nos próximos dias. Já o idoso de 67 anos, que também participou da refeição, teve um quadro mais leve e foi liberado na quinta-feira (9).

As vítimas viviam e trabalhavam na mesma fazenda localizada às margens da BR-365, na zona rural de Patrocínio. O grupo havia se mudado recentemente para o local.

Como ocorreu a intoxicação

Planta venenosa, conhecida como “falsa couve”, apresenta aparência semelhante à couve tradicional
Planta venenosa, conhecida como “falsa couve”, apresenta aparência semelhante à couve tradicional – Crédito: CBMMG/Divulgação

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o episódio aconteceu na tarde de quarta-feira (8), quando as quatro vítimas prepararam o almoço com folhas colhidas no quintal da propriedade, acreditando se tratar de couve comum. Após a refeição, todos começaram a passar mal.

Durante o resgate, as equipes do Samu e dos Bombeiros relataram que três vítimas chegaram a ter parada cardiorrespiratória, incluindo Claviana Nunes, que foi reanimada e levada às pressas para o hospital, mas não resistiu. O filho da mulher estava na casa, porém não ingeriu a planta.

O que é a falsa couve

A Nicotiana glauca, também chamada de charuteira ou couve-do-mato, é uma planta silvestre venenosa, comum em áreas rurais, beiras de estrada e terrenos baldios. Suas folhas são muito parecidas com as da couve tradicional, o que favorece a confusão.

Falsa couve (à esquerda) é parecida com a couve comum, mas é altamente venenosa.
Apesar da semelhança, apenas a couve tradicional é segura: a falsa couve contém substâncias tóxicas – Crédito: Reprodução/CBMG/Freepik

A espécie contém alcaloides neurotóxicos, como nicotina e anabasina, capazes de provocar paralisia muscular, parada respiratória e morte, mesmo após o cozimento. Segundo o doutor Sandro Henrique Ribeiro, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), “essas substâncias são termoestáveis, ou seja, o calor não destrói o veneno. Mesmo refogada, a planta continua tóxica”.

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Alerta das autoridades

A Secretaria de Saúde de Patrocínio reforçou o alerta para moradores da zona rural. “A falsa couve é muito semelhante à verdadeira, mas tem caule mais lenhoso e folhas mais finas. Se houver dúvida, o ideal é não consumir”, orientou a secretária municipal Luciana Rocha.

O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades locais, e a orientação é que qualquer suspeita de intoxicação seja comunicada imediatamente ao Samu (192) ou ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).