Esposa de gari morto em BH diz que “está sofrendo demais” e que perdoa o suspeito do crime
Liliane França da Silva disse que não tem ódio de Renê Júnior, que confessou o crime; esposa de gari morto também disse que irá continuar a lutar
A esposa de Laudemir de Souza Fernandes, gari de 44 anos morto enquanto trabalhava em Belo Horizonte, se pronunciou sobre o caso na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (20). Liliane França da Silva disse, em depoimento, que está “sofrendo demais”, mas que apesar da dor, não vai “deixar que essa luta pare”.
Liliane Silva também disse que perdoa o Renê da Silva Nogueira Júnior, preso por matar o gari. “Ele teve a opção de não atirar. Ele saiu da casa dele disposto a tirar a vida de alguém. […] Eu não tenho ódio dele. Eu perdoo ele, porque ele é uma pessoa muito fútil, ele é uma pessoa muita vazia”, disse durante a sessão.
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O trabalhador de limpeza urbana foi assassinado no último dia 11 de agosto, durante uma coleta de lixo no bairro Vista Alegre. O empresário Renê Júnior, 47, confessou ter disparado contra Laudemir Fernandes na última segunda-feira (18).
A viúva de Laudemir Fernandes se emocionou ao lado de deputados da Comissão de Direitos Humanos. A audiência teve como finalidade debater a violação de direitos humanos ocorridos no caso do gari. Além dos familiares da vítima e seus advogados, também participaram da reunião representantes da Polícia Civil e da empresa em que o profissional de limpeza urbana trabalhava.
“Eu estou sofrendo demais, está muito difícil, a gente conversava sobre tudo. Minha casa está muito vazia, meu quarto está muito vazio. Agora eu olho para o lado e não vejo mais ele, mas apesar da dor não vou deixar que essa luta pare”, disse Liliane Silva.
Relembre o caso
- O crime aconteceu na última segunda-feira (11), no bairro Vista Alegre, em BH;
- Laudemir trabalhava na coleta de lixo quando o empresário se irritou com a passagem do caminhão em rua estreita;
- Testemunhas disseram que Renê ameaçou “atirar na cara” da motorista do veículo;
- Ao tentar defender a colega, o gari foi atingido por disparo na região torácica;
- A vítima foi socorrida, mas morreu por hemorragia interna no Hospital Santa Rita, em Contagem;
- Renê fugiu do local e foi localizado horas depois, treinando em uma academia de alto padrão no bairro Estoril;
- Na última quinta-feira (14), a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) negaram vínculo com o empresário, que tinha formações acadêmicas nas instituições no perfil do LinkedIn;
- Também na quinta-feira, a Justiça de Minas Gerais autorizou a quebra de sigilo telefônico e de dados do carro do suspeito;
- Em depoimento na última segunda-feira (18), Renê Júnior confessou ter disparado em Laudemir Fernandes;
- Garis fizeram uma manifestação em BH para pedir justiça na manhã desta quarta-feira (20)
Veja o que fez o empresário após o crime
Imagens de um circuito de segurança mostram o suspeito do crime, Renê da Silva Nogueira Júnior, guardando a arma utilizada para balear Laudemir Fernandes em uma mochila. As filmagens, obtidas pelo portal R7 nesta segunda-feira (18), também mostram o passo a passo do empresário após o crime.