Desaparecidos nas Maldivas: mistério em caverna intriga autoridades
Operação enfrenta mar revolto e correntes fortes enquanto equipes tentam localizar quatro mergulhadores italianos presos em caverna submersa nas Maldivas
A tragédia envolvendo os desaparecidos nas Maldivas mobiliza autoridades italianas e equipes de resgate em uma operação considerada extremamente complexa. Cinco mergulhadores italianos desapareceram após entrarem em uma caverna submersa próxima ao atol de Vaavu, nas Maldivas, durante um mergulho técnico realizado na manhã de quinta-feira (15). Até o momento, apenas um corpo foi localizado.

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Segundo informações divulgadas pela agência italiana Ansa, as vítimas foram identificadas como Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, Muriel Oddenino, Federico Gualtieri e Gianluca Benedetti. O grupo mergulhava nas proximidades de Alimathaa quando deixou de retornar à superfície no horário previsto.
As buscas pelos desaparecidos nas Maldivas começaram ainda no início da tarde, depois que integrantes da embarcação Duke of York, em que os mergulhadores estavam, perceberam que eles não haviam reaparecido após cerca de uma hora de atividade. Passageiros relataram que o alerta foi emitido rapidamente e que a resposta das autoridades ocorreu de forma imediata.
De acordo com relatos feitos à Ansa, a visibilidade no mar era considerada excelente no momento do mergulho e não havia sinais aparentes de mar agitado. Mesmo assim, os mergulhadores desapareceram em uma região de cavernas submersas considerada extremamente perigosa.
Desaparecidos nas Maldivas estão em caverna de difícil acesso
As Forças de Defesa Nacionais das Maldivas informaram que um dos corpos foi encontrado dentro de uma caverna localizada a aproximadamente 60 metros de profundidade. A suspeita das autoridades é que os outros quatro mergulhadores também estejam no mesmo local.
O porta-voz presidencial Mohamed Hussain Shareef afirmou que a área apresenta risco elevado até mesmo para profissionais altamente experientes. Segundo ele, a profundidade e a estrutura da caverna fazem com que muitos mergulhadores evitem entrar na região, mesmo utilizando equipamentos avançados.
As operações de resgate precisaram ser interrompidas temporariamente por causa das condições climáticas adversas. Ventos fortes, chuva intensa e correntes marítimas dificultaram o acesso ao interior da caverna, que possui três segmentos interligados.
O embaixador italiano Damiano Francovigh, que viajou para Malé para acompanhar a operação, explicou que os mergulhadores das Maldivas conseguiram acessar apenas parte da estrutura submersa antes de precisarem retornar à superfície para cumprir os protocolos de descompressão.
Segundo ele, a expectativa é que novas tentativas sejam realizadas assim que houver melhora nas condições do tempo.
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Especialistas apontam possíveis causas para tragédia
O caso dos desaparecidos nas Maldivas também levantou questionamentos sobre as possíveis causas do acidente. O especialista em medicina subaquática Gerardo Bosco afirmou à Ansa que uma combinação incorreta de gases nos cilindros ou até falha humana podem ter contribuído para a tragédia.
Bosco explicou que mergulhos realizados a mais de 50 metros entram na categoria técnica e exigem misturas específicas de gases para evitar riscos graves ao organismo. Segundo o especialista, alterações na composição podem provocar intoxicação por oxigênio, narcose por nitrogênio, perda de consciência e até convulsões.
Outra hipótese analisada envolve eventual contaminação do ar utilizado nos cilindros. O professor destacou que problemas no compressor ou proximidade da entrada de ar com motores da embarcação poderiam gerar presença de gases tóxicos.
Além dos cilindros, os investigadores aguardam a recuperação dos computadores de mergulho utilizados pelas vítimas. Os equipamentos registram informações importantes da atividade, como profundidade, tempo submerso e alterações durante a descida.
Universidade italiana lamenta mortes de mergulhadores
Quatro das vítimas tinham ligação direta com a Universidade de Gênova. Monica Montefalcone era professora de ecologia, enquanto Giorgia Sommacal estudava engenharia biomédica. Muriel Oddenino atuava como pesquisadora na área de ciências ambientais e Federico Gualtieri havia concluído recentemente um mestrado em biologia marinha e ecologia.
Gianluca Benedetti, natural da região de Pádua, trabalhava como instrutor de mergulho e também era capitão de embarcação.
Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, Carlo Sommacal, marido de Monica e pai de Giorgia, afirmou que a esposa era uma das mergulhadoras mais experientes que conhecia e jamais colocaria a vida da filha em risco conscientemente.
Ele também declarou acreditar que algo inesperado aconteceu no interior da caverna, já que o grupo possuía ampla experiência em mergulho técnico.
Itália abre investigação sobre desaparecidos nas Maldivas
A Procuradoria de Roma abriu uma investigação para apurar o acidente envolvendo os desaparecidos nas Maldivas. As autoridades italianas pretendem analisar os equipamentos utilizados pelas vítimas e reconstruir toda a dinâmica do mergulho.
Enquanto isso, a operação de recuperação continua sendo tratada como de alto risco pelas equipes locais. Barcos, aeronaves, mergulhadores especializados e agentes da guarda costeira seguem mobilizados na região do atol de Vaavu.