Congado é alvo de ataque com urina durante cortejo em Uberlândia
Integrantes são atingidos por urina durante cortejo no bairro Saraiva, denunciam intolerância religiosa e registram boletim de ocorrência
Um ataque ao grupo de congado Moçambique Conta de Lágrimas, em Uberlândia, provocou indignação e levantou denúncias de intolerância na cidade. O caso aconteceu durante um cortejo no bairro Saraiva, quando integrantes da manifestação cultural foram atingidos por um líquido, identificado como urina, arremessado de um prédio.
De acordo com os participantes, pelo menos cinco pessoas foram atingidas. O episódio interrompeu temporariamente a apresentação e mobilizou o grupo, que realizou um ato de manifestação no local antes de retomar o trajeto.

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Congado é alvo de ataque durante cortejo
De acordo com uma das integrantes, Laura Aparecida da Silva, o cortejo seguia normalmente pelas ruas quando o grupo foi surpreendido pelo ataque. A suspeita não foi identificada, já que apenas o braço teria sido visto na janela do apartamento. “Ela jogou o líquido em nós. Foi um momento de revolta e tristeza”, relatou uma participante.
Ainda conforme o depoimento, havia outras pessoas no imóvel, incluindo uma criança, que teria sido orientada a fechar a janela logo após o ocorrido.
O grupo interrompeu o cortejo e retornou até a entrada do condomínio, onde realizou um protesto com cantos e toques tradicionais. Em seguida, os integrantes decidiram concluir a programação prevista. Veja o relato que a jovem fez nas redes sociais:
Vítimas relatam impacto e dificuldade após o ataque
O episódio deixou marcas emocionais e também constrangimentos práticos para os participantes. Alguns dançarinos foram atingidos diretamente no rosto e relataram abalo emocional. “Tivemos integrantes que choraram. Foi muito humilhante”, contou a integrante.
Além disso, o grupo enfrentou dificuldades para retornar para casa, já que motoristas de aplicativo relutaram em aceitar corridas devido ao odor do líquido.
Grupo denuncia racismo religioso e cobra providências
Após o ocorrido, os integrantes registraram boletim de ocorrência e classificaram o caso como racismo religioso e intolerância religiosa, por se tratar de uma manifestação cultural de matriz afro-brasileira.
A denúncia também foi encaminhada ao síndico do condomínio, com indicação do possível local de origem do ataque. No entanto, segundo o grupo, a responsável ainda não foi identificada.
Em nota, o condomínio informou que repudia qualquer forma de discriminação e afirmou que tenta apurar o caso, mas que ainda não há elementos suficientes para identificar a autora.
Ataque ao grupo de congado reacende debate sobre respeito cultural
O episódio traz a discussão sobre o respeito às manifestações tradicionais como o congado, considerado patrimônio cultural brasileiro. A prática celebra a ancestralidade negra, a fé e a resistência histórica, com forte presença em Minas Gerais.
Ligado à figura de Chico Rei, símbolo da luta negra, o congado representa não apenas expressão religiosa, mas também identidade e memória coletiva. Diante do ocorrido, o grupo afirma que não pretende se calar e seguirá cobrando responsabilização.
Direito à cultura e à fé
Mesmo após o ataque, os integrantes reforçaram que continuarão ocupando as ruas com suas manifestações. “Nosso terno pede respeito. O congado é cultura, é história, é resistência”, diz trecho da nota divulgada pelo grupo.
A expectativa agora é que o caso avance nas investigações e que episódios como esse não se repitam.