Cabeleireira morta em Uberaba: tudo o que se sabe sobre o crime brutal que chocou a cidade
Delegado detalha em coletiva como o suspeito foi preso em Franca após matar Raphaella Fachinelli a facadas no bairro Valim de Melo; dívida e transações financeiras estão entre as linhas de investigação
A investigação sobre a cabeleireira morta em Uberaba, Raphaella Silva Fachinelli, de 28 anos, avançou com a prisão do principal suspeito pelo crime, ocorrido na tarde desta quinta-feira (13). Em coletiva, o delegado Luiz Fernando de Paula Bernardes, da Polícia Cívil (PC), afirmou que o homem confessou o crime e relatou que a morte teria ocorrido após uma briga motivada por cobrança de valores, versão que ainda está sob apuração com quebra de sigilos bancários.

Durante a entrevista, o delegado Luiz Fernando de Paula detalhou a versão apresentada pelo suspeito. Segundo ele, a vítima afirmou que havia comprado uma moto de Raphaella Fachinelli e que ela estaria em dívida com ele. O suspeito também disse que a vítima teria iniciado as agressões e que não se lembra do momento em que desferiu as 14 facadas que provocaram a morte da cabeleireira.
As investigações mostram ainda que, além de fugir com o carro da cabeleireira, o homem esvaziou a conta bancária da vítima, realizou transferências, incluindo uma para um amigo cujo envolvimento ainda está em apuração, e usou cartões em compras e serviços. A dona da casa onde o crime ocorreu, que é namorada do suspeito, já foi ouvida pelos investigadores e, até o momento, não há indícios de participação dela no crime.

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Cabeleireira morta em Uberaba choca vizinhos do bairro Valim de Melo
Raphaella foi encontrada já sem vida na área de serviço da casa que pertence à namorada do suspeito, na tarde de segunda-feira (10). O corpo apresentava inúmeras perfurações no rosto e no pescoço, além de ferimentos nos braços compatíveis com tentativa de defesa. O quantidade de facadas só foi confirmada pela polícia nesta sexta-feira (14).
Segundo o boletim de ocorrência, vizinhos ouviram gritos e pedidos de socorro por volta das 13h50. Uma moradora acionou o pai, que mora na mesma rua. Ao chegar, ele viu o suspeito saindo “agitado” em um Fiat Argo branco, que depois foi identificado como o carro da própria vítima.
Ao pular o muro, encontrou Raphaella caída sobre uma poça de sangue, ao lado de uma faca de cabo preto com lâmina de 12 centímetros. Havia respingos de sangue no quarto, no banheiro e no corredor, indicando que o suspeito tomou banho na residência antes de fugir. A polícia confirmou que ele se limpou antes de sair com destino a Franca, no interior de São Paulo.
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Uso de cartão, PIX e compras no shopping: comportamento do suspeito após o crime
As transações financeiras se tornaram peça-chave para entender a motivação. No mesmo dia da morte da cabeleireira, o suspeito:
- fez uma compra de R$ 850 em máquina de cartão cadastrada no nome de Raphaella;
- realizou um PIX de R$ 500 para a namorada, dona da casa onde o crime ocorreu.
A polícia apura se o suspeito acumulava dívidas com a vítima e utilizava a maquininha dela para quitar gastos pessoais. Amigos afirmam que ela havia feito um empréstimo para ele e tentava reaver o dinheiro.
Fuga para Franca e imagens mostram suspeito caminhando no shopping
O homem dirigiu até Franca (SP) no carro da vítima. Câmeras de segurança registraram o suspeito chegando ao shopping da cidade, caminhando calmamente pelos corredores e fazendo compras com o cartão de Raphaella.

O Fiat Argo foi encontrado abandonado com manchas de sangue próximo ao estacionamento do shopping. Mesmo depois de periciado, o carro desapareceu horas depois. A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) informou que o veículo foi removido por terceiros antes da apreensão oficial, e o caso agora também é investigado em Franca.
Segundo o delegado Eduardo Bonfim, da polícia paulista, o suspeito permaneceu na cidade, comprou roupas, alimentou-se no local e tentou adquirir um novo celular, comportamento que reforça a linha de investigação de latrocínio.
“Foi um crime de ímpeto”, diz delegado sobre versão apresentada pelo suspeito
Durante a coletiva, o delegado Luiz Fernando afirmou que o suspeito relatou ter agido após uma “briga repentina”. Ele alegou que a vítima o teria agredido primeiro, o que não encontra respaldo nos elementos do inquérito até agora. “Essa é a versão do investigado, não é a versão dos autos. A perícia ainda trabalha para confirmar ou descartar o que ele afirmou”, disse o delegado.
A polícia também descartou, até o momento, qualquer indício de motivação passional. A família da vítima afirma que não havia relação amorosa entre os dois, apenas amizade desde a época de escola.
Como o suspeito foi encontrado: monitoramento, apoio interestadual e tentativa de nova fuga
Após as primeiras investigações, a Delegacia de Homicídios de Uberaba conseguiu informações suficientes para pedir a prisão temporária do suspeito. Equipes passaram a monitorar seus passos em Franca, onde ele conseguiu abrigo em uma residência.
Segundo o delegado, quando a polícia chegou, o homem estava se preparando para fugir novamente, desta vez para Ribeirão Preto. Ele foi preso sem resistência e levado ao sistema prisional de Uberaba.

Quem era Raphaella Fachinelli: mãe solo, trabalhadora e querida pela comunidade
A morte da cabeleireira gerou forte comoção. Raphaella Fachinelli era mãe de um menino de 4 anos, descrita pelos amigos como uma jovem alegre, dedicada e cheia de planos.
“Ela era luz. Alto astral, batalhadora, cuidava do filho com todo amor. Foi muito brutal”, contou Maya Risso.