Brumadinho: após sete anos, bombeiros encerram buscas e duas vítimas seguem desaparecidas

Bombeiros informaram que 100% dos rejeitos da tragédia de Brumadinho foram analisados em operação que mobilizou milhares de militares

, em Uberlândia

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Após sete anos de trabalho ininterrupto, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais anunciou o encerramento das buscas por vítimas da tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro de 2019. Segundo a corporação, todo o material de rejeitos espalhado após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão foi vistoriado, e duas vítimas seguem desaparecidas.

Tragédia em Brumadinho
Bombeiros atuaram por mais de sete anos na área atingida pela tragédia de Brumadinho, considerada um dos maiores desastres socioambientais do país – Crédito: CBMMG/Divulgação

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Segundo os bombeiros, mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram analisados ao longo da operação, que resultou na localização de 270 corpos. Mesmo com o esforço contínuo, não foram encontrados os restos mortais do engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e da estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo, únicas vítimas ainda não localizadas da tragédia de Brumadinho.

O encerramento das buscas ocorre às vésperas de completar sete anos do rompimento, que deixou 272 mortos, incluindo duas gestantes. A previsão do Corpo de Bombeiros é que os equipamentos empregados na operação sejam totalmente retirados da área até a primeira quinzena de fevereiro.

Ao longo dos sete anos, a força-tarefa mobilizou mais de 5 mil militares de Minas Gerais, com apoio de equipes de outros estados. A operação também contou com o uso de 31 aeronaves, somando mais de 1.600 horas de voo, além da atuação de cerca de 68 cães farejadores e 120 máquinas pesadas. O trabalho é considerado um dos maiores já realizados no país em resposta a um desastre industrial.

Entre as vítimas ainda desaparecidas está Nathália de Oliveira Porto Araújo, que tinha 25 anos e trabalhava como estagiária havia apenas quatro meses na empresa responsável pela barragem. Já Tiago Tadeu Mendes da Silva era engenheiro mecânico recém-formado e havia sido transferido para Brumadinho cerca de 20 dias antes do rompimento. Ele deixou esposa e dois filhos, sendo o caçula com poucos meses de vida à época.

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O rompimento da barragem aconteceu por volta das 12h30 do dia 25 de janeiro de 2019. Passados mais de 2.500 dias desde a tragédia de Brumadinho, familiares das vítimas ainda aguardam responsabilização criminal pelos fatos.

Há previsão de que audiências judiciais envolvendo ex-executivos da mineradora e funcionários de empresa responsável por atestar a segurança da estrutura tenham início no próximo mês, na Justiça Federal em Belo Horizonte.

Entidades que representam familiares e atingidos classificam o episódio como um crime socioambiental e cobram punições efetivas. Especialistas também apontam falhas recorrentes na fiscalização de atividades minerárias no país, citando Brumadinho como parte de uma sequência de grandes desastres relacionados ao setor.

Procurada pela Agência Brasil, a mineradora responsável informou, por meio de nota, que não comenta processos judiciais em andamento, mas afirmou que segue executando ações de reparação socioambiental e econômica na região, conforme acordo firmado com as autoridades. A empresa declarou ainda que mantém investimentos voltados à segurança de suas barragens.

Em memória às vítimas da tragédia de Brumadinho, familiares e movimentos sociais promovem neste domingo um ato simbólico no município, reforçando a cobrança por justiça e para que desastres semelhantes não voltem a ocorrer.