B.O aponta abandono de incapaz no caso da criança que caiu de prédio em Uberlândia

Boletim de ocorrência aponta abandono de incapaz no caso da criança de 5 anos que caiu do 12º andar no bairro Grand Ville; mãe relata que foi à academia e deixou o filho dormindo

, em Uberlândia

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A tragédia da criança que caiu de um prédio em Uberlândia ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (28), após a divulgação do boletim de ocorrência que classificou o caso como abandono de incapaz. O documento descreve, pela primeira vez, o relato oficial da mãe e os detalhes do momento em que o menino Matthew Cruz Mussa, de 5 anos, caiu do 12º andar do Residencial Mirante dos Ventos, no bairro Grand Ville.

Segundo o registro policial, a mãe afirmou que acordou por volta de 6h30 e foi para a academia do condomínio. O padrasto estava trabalhando e não havia mais nenhum adulto no apartamento. Durante esse período, Matthew Cruz teria despertado sozinho e ido ao banheiro. Neste momento, a suspeita é que ele usou uma cadeira para acessar o vão de abertura da única janela sem tela de proteção.

Criança que caiu de prédio em Uberlândia: menino de 4 anos morre no Granville
Janela do banheiro é a única do apartamento da família de Matthew Cruz Mussa que não possuía tela de proteção – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

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Casal ouviu o impacto ao passar pela calçada

O B.O informa que um casal passava pela calçada do bloco 3 por volta de 7h25, quando ouviram o barulho da queda e, ao se virarem, viram a criança já caída no chão. O Corpo de Bombeiros chegou poucos minutos depois e a equipe médica atestou o óbito no local. Imagens de câmera de segurança, mostram toda essa ação.

A Polícia Militar (PM) acionou a perícia, que encontrou dentro do banheiro uma cadeira e uma mesinha de plástico posicionadas abaixo da janela, indicando o possível ponto de acesso usado pela criança para alcançar a abertura.

Criança cai de prédio em Uberlândia
Matthew Cruz Mussa, de 5 anos, morreu após cair da janela do banheiro no bairro Grand Ville – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

Mãe foi levada à delegacia e recebeu atendimento médico

Ainda conforme o B.O, a mãe estava muito abalada emocionalmente e precisou de acompanhamento da equipe do Corpo de Bombeiros para ser conduzida à Delegacia. A médica da unidade de resgate administrou calmantes após a mulher relatar, várias vezes, que se sentia culpada e que “não queria mais viver”.

Por determinação legal, ela foi apresentada à Delegada de plantão para responder ao procedimento referente ao crime de abandono de incapaz e já foi liberada pela polícia.

Mãe de Matthew Cruz precisou de atendimento do Corpo de Bombeiros antes de ser levada à Delegacia – Crédito: Redes Sociais/Reprodução
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O que é abandono de incapaz e quando o crime se configura

O crime de abandono de incapaz, previsto no artigo 133 do Código Penal, ocorre quando um responsável deixa uma pessoa que não possui capacidade plena de se defender ou se proteger, como crianças, idosos ou pessoas com deficiência, em situação de vulnerabilidade, expondo-a a riscos. A conduta é caracterizada mesmo sem a intenção direta de causar dano, bastando que o responsável se afaste e deixe o incapaz em condição que possa resultar em perigo.

No entanto, é importante destacar que o enquadramento feito no boletim de ocorrência não é definitivo, e o caso ainda será investigado pela Polícia Civil, que irá analisar todas as circunstâncias antes de qualquer conclusão jurídica.

Advogado da família se pronuncia

O advogado da família do Matthew Cruz, Thiago Honório, comentou sobre o caso em entrevista à TV Paranaíba, nesta sexta-feira (28). Ele informou que a prisão da mãe do menino não foi ratificada e ela foi liberada. Um inquérito policial foi aberto, segundo o advogado.

“De fato foi a fatalidade mesmo. Não teve nenhuma intenção da mãe. Pelo contrário, a mãe está em estado muito em choque. A correção dos fatos é que ela estava na lavanderia, não estava na academia. E, realmente, foi uma fatalidade muito grande para família”, informou ele.

Advogado Thiago Honório
Advogado falou sobre o caso e refutou versão do boletim de ocorrência – Créditos: TV Paranaíba