Ataque premeditado à corretora: PCGO aponta provas como luvas e capuz
Para evitar ser detectado, o síndico entrou no subsolo por uma passagem lateral que estava em obras, informou a polícia em coletiva nesta quinta-feira (19); veja detalhes
-
Ataque premeditado à corretora uberlandense Daiane Alves: a Polícia Civil de Goiás (PCGO) apresentou provas, como o uso de luvas e capuz, além do carro utilitário estacionado estrategicamente, para reforçar a hipótese de emboscada à vítima no subsolo do condomínio.
O que parecia ser um desentendimento de vizinhos revelou-se um crime de frieza calculada. Essa é a conclusão dos policiais civis para o desfecho da investigação do caso Daiane. E que questões relativas ao uso dos imóveis da corretora também influenciaram na divergência entre ambos.
Em coletiva realizada nesta quinta-feira (19), a força-tarefa da Polícia Civil goiana detalhou como o síndico Cléber Rosa, de 49 anos, estruturou uma suposta emboscada para a corretora Daiane Alves, de 43 anos. A investigação concluiu que o crime foi premeditado e o inicío da execução da captura da corretora ocorreu em um intervalo de oito minutos ainda dentro do prédio.
Para não ser detectado, o síndico acessou o subsolo por uma entrada lateral em obras, apontou a polícia. Os investigadores, no entanto, descartam que os dois tiros que mataram a corretora foram disparados dentro do prédio.
Testes de som provaram que tiros no subsolo do prédio seriam ouvidos na portaria. Como os porteiros não ouviram nada e não houve registro desse tipo de som por moradores, a polícia confirmou que Daiane foi rendida, colocada na caminhonete e executada em uma mata na região de Ipameri (GO), aponta a investigação.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A prova mais contundente do crime estava escondida em uma caixa de esgoto. Após restaurarem o celular da vítima, os peritos encontraram o registro audiovisual dos últimos momentos de Daiane dentro do prédio.
Ao descer ao subsolo por volta das 19h para questionar a falta de energia em seu apartamento, a corretora começou a gravar o vídeo pelo celular.

Nas imagens, ela ironiza ao encontrar o agressor: “Ah, olha quem eu encontro”. Em seguida, ela reclama: “Acabou de perder minha energia no 402”. O vídeo mostra Cléber de costas, já usando luvas nas duas mãos.
Logo adiante, a câmera capta a caminhonete do síndico com a capota aberta, e que estaria estrategicamente posicionada para o transporte do corpo, segundo os investigadores que utilizaram esses elementos para reforçar a tese de ataque premeditado à corretora.
E por fim, a vítima é surpreendida pelas costas por Cléber já encapuzado. Os gritos marcam a cena final de dor, com gritos e um pedido de socorro interrompido pela agressão, que também encerra abruptamente a filmagem feita pela própria vítima.

Tese de “disparo acidental” é descartada
Após ser preso no dia 28, Cléber Rosa tentou sustentar a tese de que portava uma arma que teria disparado por acidente durante uma briga, alegando que Daiane seria lutadora de jiu-jítsu e teria reagido. No entanto, a perícia derrubou a versão apontando fatos que reforçam a hipótese de ataque premeditado à corretora:
- Execução: Foram dois disparos à queima-roupa na cabeça, um deles atingindo o olho esquerdo.
- Local do crime: Testes de som provaram que tiros no prédio seriam ouvidos na portaria. Como os porteiros nada ouviram, a polícia confirmou que Daiane foi rendida, colocada na caminhonete e executada em uma mata na região de Ipameri (GO).
- Frieza: O síndico acessou a garagem por um portão lateral em obras para não ser visto e atacou a vítima pelas costas enquanto ela ainda gravava.

Ataque premeditado à corretora: resposta do advogado do síndico
A defesa de Cléber Rosa se pronunciou através de uma nota. “O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica ainda não obteve acesso à integralidade dos documentos recentemente inseridos na investigação, sobretudo ao Relatório Final Policial, de modo que somente se manifestará após a análise de todo o seu conteúdo.”
Imagens de câmeras e ocultação de provas
Além do ataque premeditado à corretora, segundo o delegado André Barbosa, a investigação revelou ainda uma tentativa de obstrução de justiça. Cléber, que tinha controle sobre as 11 câmeras do edifício, entregou apenas três arquivos selecionados à polícia. Foi necessário apreender o DVR para entender o trajeto completo do síndico.
O filho de Cléber, Maycon Douglas, embora não tenha participado da execução (ele estava em Catalão no momento do crime, segundo a Polícia Civil goiana), passou a colaborar com o pai a partir do dia 15, após ouvir a confissão de Cléber, na tentativa de evitar a prisão do genitor. A reportagem tentou contato telefônico com o escritório que defende o filho do síndico, mas as ligações não foram atendidas.