Acidente aéreo nos EUA, que matou 67 pessoas, poderia ser evitado

Relatório aponta erro de rotas, falhas no controle aéreo e tecnologia desligada em colisão que matou 67 pessoas perto de Washington

, em Uberlândia

O acidente aéreo nos EUA que matou 67 pessoas, após a colisão entre um helicóptero Black Hawk do Exército e um jato regional da American Airlines operado pela PSA Airlines, poderia ter sido evitado. A conclusão aparece no relatório final do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, o NTSB, que classificou a tragédia como resultado de uma sucessão de falhas sistêmicas.

 

 O acidente aéreo nos EUA ocorreu em 29 de janeiro de 2025, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington, e se tornou o desastre mais letal da aviação comercial norte-americana em mais de duas décadas. Em quase 400 páginas, o NTSB descreve erros acumulados em diferentes esferas do governo e afirma que políticas criadas para proteger o público não funcionaram naquela noite de inverno.

Segundo o órgão, a definição de uma rota de helicóptero muito próxima à trajetória de aproximação da pista, a ausência de revisão periódica dessas rotas e a falta de ação diante de recomendações anteriores contribuíram diretamente para a causa provável do acidente. O relatório também cita confiança excessiva na observação visual por parte dos pilotos, sem considerar as limitações do conceito de ver e evitar.

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Acidente aéreo nos EUA revela falhas no controle e na tecnologia

O acidente aéreo nos EUA também expôs problemas no controle de tráfego aéreo. O NTSB apontou desempenho deficiente na torre, provocado pela combinação de duas posições de trabalho e pela inexistência de um processo formal de avaliação de riscos. A consequência foi a priorização inadequada de tarefas, avisos insuficientes e ausência de alertas de segurança às duas tripulações.

A investigação atribuiu parte da responsabilidade ao Exército por falhas no treinamento relacionadas à margem de erro dos altímetros, equipamentos que indicam a altitude. O helicóptero voava acima do limite permitido, segundo o relatório.

Todd Inman, integrante do conselho, destacou que o controlador local não forneceu os alertas necessários, que a tripulação do helicóptero não indicou corretamente sua altitude e que a Administração Federal de Aviação, a FAA, não avaliou seus próprios dados. Para ele, o desenho da rota não deixava margem para erro humano.

O documento completo pode ser consultado no site oficial do National Transportation Safety Board, responsável pelas investigações de acidentes no país.

Acidente aéreo nos EUA era 100% evitável

A presidente do NTSB, Jennifer Homendy, foi enfática ao afirmar que o acidente aéreo nos EUA era totalmente evitável. Durante reunião que marcou a apresentação detalhada das conclusões, ela afirmou que, com tecnologia adequada, as tripulações teriam recebido alertas com antecedência suficiente para agir.

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O relatório mostrou que o helicóptero possuía o sistema “ADS-B Out”, que transmite posição, mas ele estava desligado. Já o jato regional transmitia sua localização, porém nenhuma das aeronaves conseguia receber dados da outra. Com a instalação do ADS-B In, os pilotos poderiam visualizar aeronaves próximas e receber alertas de colisão.

A tragédia reacendeu o debate sobre segurança aérea em 2025, ano que também registrou outros episódios graves envolvendo aviação comercial e de carga. O senador Ted Cruz defendeu tornar obrigatória a tecnologia de prevenção de colisões em todas as aeronaves e copatrocinou um projeto de lei sobre o tema, que ainda aguarda votação.

O NTSB emitiu 50 recomendações de segurança, sendo 33 direcionadas à FAA. Entre elas, limites de tempo para supervisores de controle aéreo, aprimoramento de treinamento, restrição de tráfego em aeroportos movimentados, modernização tecnológica e revisão dos critérios de projeto de rotas de helicópteros.

Embora não tenha poder para obrigar a adoção das medidas, o conselho reforçou que a implementação das recomendações pode evitar novas tragédias. Para a presidente do órgão, o objetivo final é claro: transformar o conhecimento extraído do acidente aéreo nos EUA em mudanças concretas que salvem vidas e impeçam que outras famílias enfrentem perdas semelhantes.