Uberlândia registra quase 300 pacientes em tratamento contra hanseníase

Com 66 novos casos confirmados em 2025, Triângulo intensifica diagnóstico precoce; novos exames moleculares prometem acelerar identificação e evitar sequelas

, em Uberlândia

A batalha contra a hanseníase em Minas Gerais entrou em uma nova fase tecnológica neste janeiro. O Governo do Estado confirmou o início da oferta de testes moleculares (PCR) pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), uma medida estratégica para enfrentar a doença que, só em Uberlândia, mantém 291 pessoas sob cuidados intensivos no Centro de Referência Nacional Credesh.

Tratamento contra hanseníase
Governo de Minas fortalece combate à hanseníase com testes moleculares inéditos na rede pública – Crédito: Lucas Luckeroth/Funed/Reprodução

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Raio-X da Hanseníase em Uberlândia

Dos pacientes assistidos pela Credesh até 31 de dezembro, 62,8% vêm de municípios vizinhos. Apenas 108 dos atendidos são residentes da cidade.

  • Abrangência: 62,8% dos pacientes residem em cidades vizinhas; apenas 37,2% são de Uberlândia;
  • Novos diagnósticos: em 2025, foram 172 notificações, sendo 66 casos novos e 16 recidivas;
  • Alerta Infantil: três dos novos casos ocorreram em menores de 15 anos, dado que acende o sinal vermelho para a transmissão domiciliar ativa.

Inovação Laboratorial em Minas

O diferencial da campanha Janeiro Roxo deste ano é a incorporação dos exames de biologia molecular no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG). Com capacidade para 500 análises anuais, o estado passa a oferecer suporte laboratorial de ponta para casos de difícil diagnóstico clínico.

“A hanseníase é uma doença histórica e muitas vezes esquecida. Em Minas, notificamos mais de mil casos anualmente, e o diagnóstico precoce é o que interrompe a transmissão”, enfatiza o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.

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Pesquisa da UFU prevê ineficácia do tratamento

Um estudo inovador realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), desenvolveu um modelo capaz de prever, com mais de 95% de precisão, a ineficácia do tratamento da hanseníase. A pesquisa, conduzida com 80 pacientes do Centro de Referência Nacional em Hanseníase e Dermatologia Sanitária (Credesh), combina fatores clínicos, laboratoriais e moleculares para identificar precocemente os casos com maior risco de recaída, permitindo um acompanhamento personalizado e intervenções mais eficazes.

Sintomas e tratamento contra hanseníase

O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico. Segundo o médico dermatologista Yargos Rodrigues Menezes, o paciente deve estar atento a manchas com perda de sensibilidade, formigamentos ou feridas que não doem. “O tratamento garante a cura e, logo após a primeira dose, o paciente deixa de transmitir a bactéria”, explica o especialista.

A hanseníase atinge pele e nervos periféricos, mas o tratamento garante a cura total.

Fique atento aos principais sintomas:

  • Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas com perda de sensibilidade;
  • Dormência ou formigamento em mãos e pés;
  • Perda de força muscular;
  • Caroços ou feridas que não cicatrizam e não doem.
Transmissão:
  • Contato próximo e prolongado com uma pessoa doente que ainda não iniciou o tratamento;
  • Não é transmitida por abraços, compartilhamento de objetos ou hereditariedade. 
O fluxo de atendimento permanece via Atenção Primária. O paciente deve procurar a Unidade de Saúde mais próxima e, se necessário, será encaminhado via Regulação para o Credesh. Além do tratamento medicamentoso gratuito, o centro em Uberlândia oferece suporte multiprofissional, que inclui de fisioterapia a cirurgias de reabilitação e oficina de órteses.