Número de bebês com baixo peso cresce em Uberlândia e supera média nacional, aponta UFU
Pesquisa aponta mudança no perfil materno, com mais gestantes acima de 30 anos, crescimento das cesarianas, mais gestações múltiplas e impactos socioeconômicos no desenvolvimento fetal
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) divulgou um novo levantamento que liga o alerta na saúde materno-infantil da cidade. Entre 2018 e 2023, o índice de bebês recém-nascidos com baixo peso cresceram e colocaram Uberlândia acima da média nacional, segundo a pesquisa conduzida por cientistas do Laboratório de Estudos Epidemiológicos em Medicina (LabMed). O resultado reforça a urgência de ações voltadas ao pré-natal, nutrição e acompanhamento da gestante.
O estudo registrou prevalência de 10,89% de baixo peso ao nascer, número superior ao observado em pesquisas anteriores, que analisaram o período de 2012 a 2016 e apresentaram índice de 9,61%. A diferença, embora pareça pequena, representa aumento significativo no cenário epidemiológico da cidade, segundo os pesquisadores.

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Pesquisa da UFU aponta que perfil das gestantes mudou
O levantamento mostra que o público materno passou por transformações. Se antes o maior risco estava associado a mães mais jovens, baixa escolaridade e menor número de consultas de pré-natal, agora o cenário aponta aumento de gestantes com 30 anos ou mais, mais cesarianas, aumento de gestações múltiplas e presença contínua de fatores socioeconômicos que impactam o desenvolvimento fetal.
Além disso, a pesquisa investiga a relação entre poluição do ar e baixo peso ao nascer. Embora Uberlândia não esteja entre as cidades mais poluídas do país, a exposição constante a partículas atmosféricas pode interferir na formação do bebê, especialmente durante o desenvolvimento neural.

Os dados também chamam atenção para outro recorte. Os bebês do sexo feminino são os mais afetados em cenários de estresse ambiental. Em casos mais graves, o baixo peso pode refletir ao longo da vida, aumentando riscos de atraso no desenvolvimento cerebral, autismo e TDAH, conforme aponta o estudo.
Bebês com baixo peso: impacto da pandemia
O levantamento identificou picos de casos entre 2019 e 2020, período marcado por restrições de acesso ao pré-natal, mudanças de rotina e efeitos sociais da pandemia de Covid-19. Após esse intervalo, houve estabilização dos índices, mas sem retorno aos níveis anteriores.
A orientação dos pesquisadores reforça que o cuidado começa na gestação. Consultas regulares, apoio nutricional, monitoramento de doenças como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia e atenção ao bem-estar emocional da gestante são medidas essenciais para prevenção.
O que fazer após o nascimento
Bebês que chegam ao mundo com peso abaixo do ideal costumam demandar mais tempo de internação, acompanhamento pediátrico contínuo e avaliação nutricional para garantir ganho de peso adequado e formação saudável do encéfalo.
Sem financiamento externo, o estudo envolveu nove pesquisadores da UFU na etapa atual e segue em expansão com novas frentes que devem cruzar dados sobre cordão umbilical, tecido neural e condições maternas. A expectativa é que os resultados fomentem políticas públicas e intervenções diretas no atendimento à gestante.
Por que o dado preocupa autoridades
- Índice de baixo peso em Uberlândia é maior que a média nacional;
- Crescimento do indicador em relação ao estudo anterior;
- Baixo peso pode causar impacto neurológico e atraso no desenvolvimento;
- Gestação tardia, cesáreas e poluição aparecem como fatores associados.