HC-UFU prevê 10 transplantes de medula até o fim de 2026
Técnica inédita no hospital utiliza células de um doador para substituir a medula do paciente e amplia o tratamento de doenças graves do sangue em Uberlândia e região
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh) realizou, no dia 4 de fevereiro, o primeiro transplante de medula óssea alogênico da história da unidade e agora prevê fazer 10 procedimentos desse tipo até o fim de 2026. A técnica representa um avanço no atendimento de pacientes com doenças graves do sangue, como leucemias e linfomas, e amplia a oferta de tratamento de alta complexidade pelo SUS em Uberlândia.

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No transplante alogênico, as células-tronco usadas no tratamento vêm de um doador compatível, que pode ser um familiar ou um voluntário sem parentesco. Diferentemente do transplante autólogo, em que o próprio paciente fornece as células, o procedimento alogênico substitui a medula doente por uma medula saudável, o que torna o processo mais complexo e exige uma estrutura hospitalar ainda mais especializada.
O primeiro procedimento foi feito em um paciente que passou por todo o processo de condicionamento no HC-UFU e recebeu a medula da irmã em 4 de fevereiro. Antes do transplante, ele foi submetido ao tratamento necessário para eliminar as células doentes e preparar o organismo para receber as novas células, etapa que exige isolamento e controle rigoroso para reduzir riscos de infecção.
Segundo a equipe médica, o paciente vem apresentando boa recuperação.
Responsável técnico pelo procedimento, o médico hematologista Virgílio Farnese destacou o impacto do tratamento para pacientes que enfrentam longos períodos de quimioterapia. “O transplante de medula pode representar a possibilidade de cura, especialmente em casos de leucemia, devolvendo aos pacientes e às famílias a perspectiva de retomada da vida cotidiana”, disse em entrevista à TV Paranaíba.
Embora muita gente associe o transplante a uma cirurgia, o procedimento ocorre de forma semelhante a uma transfusão. As células sadias coletadas do doador são colocadas em uma bolsa e infundidas na veia do paciente. Depois, elas percorrem a corrente sanguínea até se alojarem na medula óssea, onde passam a produzir novas células sanguíneas.
A habilitação para realizar transplantes de medula alogênicos foi aprovada pelo Ministério da Saúde no segundo semestre de 2025. Em 2026, o hospital concluiu as padronizações e as etapas necessárias para colocar o serviço em funcionamento. Antes disso, o HC-UFU já era credenciado para os transplantes autólogos desde 2019. Em 2025, a unidade realizou 152 procedimentos desse tipo.
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Até a implantação do serviço em Uberlândia, pacientes da região que precisavam desse atendimento frequentemente tinham de ser encaminhados para outros centros de referência fora do município. Com a nova habilitação, a tendência é reduzir deslocamentos e ampliar o acesso ao tratamento especializado para moradores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Referência exclusiva pelo SUS para 27 municípios e uma população de cerca de 2 milhões de habitantes, o HC-UFU concentra atendimentos de alta complexidade em diversas áreas. Em 2023, segundo dados do hospital, a unidade realizou mais de 1 milhão de exames, mais de 640 mil procedimentos clínicos e cerca de 27 mil procedimentos oncológicos.
A estrutura inclui cerca de 500 leitos, 30 vagas de UTI, 20 salas cirúrgicas e apoio direto a cursos de graduação, formação técnica e programas de residência médica.