Família será indenizada após falha médica em caso de picada de cobra em Tupaciguara

TJMG aumentou indenização para R$ 24,6 mil após constatar falha no atendimento a lavrador picado por cascavel

, em Uberlândia

Um hospital e um médico foram condenados a indenizar a família de um lavrador que morreu após erro no atendimento a uma picada de cobra cascavel. A decisão é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que alterou sentença da Comarca de Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, e elevou o valor da indenização de R$ 15 mil para R$ 24.666,66.

Segundo o processo, a vítima não recebeu soro antiofídico e, ao voltar ao hospital, obteve dose insuficiente – Crédito: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais /Divulgação

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De acordo com o processo, o lavrador procurou atendimento médico após ser picado pela cobra, em 2013, enquanto trabalhava na zona rural. No primeiro atendimento hospitalar, mesmo relatando dormência na perna, ele não recebeu soro antiofídico, sendo medicado apenas com analgésicos, pois o médico teria considerado que havia apenas arranhões no local.

Ainda segundo os autos, horas depois, com agravamento do quadro clínico, o paciente retornou ao hospital e recebeu dose insuficiente de soro antiofídico. Diante da gravidade da situação, foi necessária a transferência para outra unidade de saúde, onde o lavrador ficou internado em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e afastado do trabalho.

A vítima morreu seis anos depois, em decorrência de um acidente de moto, com diagnóstico de choque cardiogênico e tromboembolismo pulmonar. A família sustentou que as falhas no atendimento deixaram sequelas que contribuíram para a falência de órgãos ao longo dos anos.

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Na defesa, o médico sustentou que o óbito não estava relacionado à picada de cobra e disse que a família entrou com o processo de forma injustificada.

Argumentou ainda que o paciente não apresentava sintomas típicos de envenenamento e que a aplicação do soro não é indicada sem confirmação do ataque por animal peçonhento. As teses, no entanto, foram rejeitadas pelo colegiado.

Por unanimidade, o 2º Núcleo de Justiça 4.0 manteve a condenação por erro médico. O valor final da indenização foi definido pela média dos votos. Parte dos magistrados defendeu a manutenção do valor original, enquanto outros entenderam que a quantia deveria ser maior diante da gravidade da falha.

O voto mais elevado foi do desembargador Monteiro de Castro, que apontou “erro médico incontroverso”, destacando que o paciente não recebeu o soro no primeiro atendimento e, no segundo, recebeu dose inadequada.

Para o magistrado, os problemas decorrentes da picada não teriam evoluído caso o atendimento correto tivesse sido prestado desde o início.

O que fazer em caso de picada de cobra

Em casos de picadas de serpentes, a rapidez no atendimento especializado é o fator determinante para o prognóstico do paciente. A recomendação fundamental de órgãos de saúde, como o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, é manter a vítima em repouso e hidratada, evitando movimentos bruscos que acelerem a circulação sanguínea e, consequentemente, a absorção do veneno.

O local da picada deve ser limpo apenas com água e sabão, e qualquer objeto que possa garrotear a região em caso de inchaço, como anéis, pulseiras ou relógios, deve ser removido imediatamente.