Falta de sangue O negativo em Uberlândia suspende cirurgias de alta complexidade

Estoque despenca 70% no Hemocentro e a escassez de tipo O negativo e A negativo já compromete atendimentos e procedimentos urgentes na cidade

, em Uberlândia

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O estoque de sangue O negativo caiu para apenas 30% da capacidade no Hemocentro de Uberlândia, o que levou à suspensão de cirurgias de alta complexidade que dependem desse tipo raro. Apenas 5% da população possui o tipo O-, considerado universal nas transfusões, o que aumenta a preocupação diante da falta de sangue pelo baixo volume de doações.

Doadores ajudam a reforçar o estoque de sangue no Hemocentro de Uberlândia, que enfrenta escassez dos tipos O- e A- / Crédito: TV Paranaíba

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A situação também é crítica para o sangue A-, que está com índice abaixo do recomendado. Segundo o Hemocentro de Uberlândia, para manter o atendimento regular aos pacientes, seria necessário que mais pessoas comparecessem de forma contínua e programada para fazer as doações.

Patrícia Fernandes, responsável pelo setor de captação e cadastro de doadores, reforça a importância do envolvimento da população. “A gente precisa que pessoas com sangue O- tomem consciência da importância que têm para a sociedade e compareçam, dentro do possível, com regularidade. Só assim conseguimos manter o atendimento aos pacientes funcionando”, informa.

Nesta semana, o professor Diogo Gonçalves decidiu doar pela primeira vez e falou sobre a experiência. “Tinha tempo que tinha vontade de doar, mas fiquei protelando. Sei que é uma necessidade para a sociedade e hoje, graças a Deus, deu certo. Agendei, foi tranquilo e vim fazer minha parte”, contou.

Para agendar, o doador pode acessar o site da instituição ou pelos telefones (34) 3088-9236 e (34) 3088-9237 e comparecer nos dias e horários agendados na Avenida Levino de Souza, n° 1845, bairro Umuarama.

Como funcionam as doações

De acordo com especialistas, a transfusão de sangue exige compatibilidade rigorosa. A professora de genética Paula Faria explicou. “Uma pessoa A+, por exemplo, tem os antígenos A e D. Para ela, o antígeno B é estranho. Já para quem tem fator negativo, o D é estranho. Por isso, uma pessoa negativa não consegue receber sangue do tipo RH positivo”.

Na prática, isso significa que o sangue do tipo O- pode ser doado para qualquer pessoa, já que não possui antígenos que possam gerar rejeição, por isso é chamado de “doador universal”. Por outro lado, quem tem O- só pode receber de outro O-, o que torna ainda mais urgente a doação desse grupo raro.

Já os tipos A, B e AB têm restrições específicas. Uma pessoa com sangue A+ pode doar para quem tem A+ ou AB+, mas não para quem tem fator negativo. O tipo AB+ é o chamado receptor universal, pois pode receber sangue de todos os outros grupos.

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O Hemocentro reforça que a doação pode ser agendada e realizada de segunda a sábado. Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar acima de 50 kg, estar em boas condições de saúde e apresentar documento com foto.

A queda nos estoques impacta diretamente hospitais como o Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU), onde a Agência Transfusional (Agetra) já informou que a escassez de sangue compromete o agendamento de procedimentos. Grupos que mais dependem de transfusões, como pacientes oncológicos, vítimas de acidentes e pessoas em cirurgias de grande porte, são os mais afetados.