Entenda como sangue raro saiu do Ceará de avião para atender paciente em estado grave em MG
Bolsa foi enviada a Juiz de Fora após exames identificarem um anticorpo que dificultou a busca por um doador compatível; transporte gratuito pelo SUS agiliza a transfusão
Uma bolsa de sangue raro precisou cruzar o país em um voo comercial para atender um paciente em estado grave internado em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Coletado no Ceará, o material chegou a Minas Gerais na última sexta-feira (9), após uma busca por um doador compatível.
A iniciativa faz parte de uma parceria do Sistema Único de Saúde (SUS) com companhias aéreas para acelerar transfusões em casos urgentes.
Este é o segundo transporte de sangue raro na cabine de uma aeronave comercial realizado pelo Ministério da Saúde. A medida permite levar o material diretamente ao destino com mais rapidez, inclusive em situações nas quais a distância entre doador e paciente dificulta o atendimento.
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Por que o paciente precisava de sangue raro?
O paciente passou por um transplante renal e está internado em Minas Gerais. Durante os exames realizados antes da transfusão, a equipe médica identificou o anticorpo anti-Jsb, que dificultou a localização de sangue compatível.
Diante da situação, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que localizou um possível doador no Ceará.
O voluntário compareceu ao hemocentro, onde a bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia. Como o quadro clínico do paciente exigia agilidade, o material foi preparado para transporte com controle rigoroso de temperatura e levado gratuitamente na cabine de um avião comercial.
Outros doadores também estão sendo convocados para ajudar a atender às necessidades de transfusão do paciente.
Como funciona o transporte de sangue raro pelo SUS?
Antes da mudança, as bolsas de sangue raro eram enviadas como carga, modalidade sujeita a prazos maiores e restrições operacionais.
Com a ampliação do acordo entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas, o transporte pode ocorrer na cabine dos aviões. A medida facilita o envio do material entre estados e permite atender casos urgentes também à noite, nos fins de semana e nos feriados.
A iniciativa utiliza uma estrutura de cooperação que já existe para o transporte de órgãos destinados a transplantes.
Primeiro caso levou sangue de São Paulo ao Piauí
O primeiro transporte desse tipo no Brasil ocorreu em 12 de setembro, quando uma bolsa de sangue raro saiu de São Paulo com destino ao Piauí.
O material foi destinado a um paciente com doença renal crônica em estado grave, que precisava de transfusão. Após identificar uma combinação sanguínea extremamente rara, a rede de hemoterapia acionou o cadastro nacional e encontrou um doador compatível em São Paulo.
Segundo o Ministério da Saúde, a transfusão foi realizada com sucesso, e o paciente apresentou bom estado de saúde após o procedimento.

O que faz um tipo sanguíneo ser considerado raro?
A raridade do sangue não depende apenas dos grupos mais conhecidos, como A, B, AB e O, e do fator Rh positivo ou negativo.
As hemácias, células responsáveis pelo transporte de oxigênio, também apresentam outros antígenos em sua superfície. Essas características variam entre as pessoas e podem dificultar a compatibilidade entre doador e receptor.
Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Por isso, encontrar uma bolsa compatível pode exigir buscas em diferentes regiões do país.
Exames como fenotipagem e genotipagem ajudam a identificar as características específicas do sangue e a localizar doadores adequados.
Cadastro já ajudou mais de 300 pacientes
Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne atualmente 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes.
Quando um hemocentro não encontra sangue compatível no próprio estado, pode recorrer ao sistema. A equipe responsável procura possíveis doadores em outras regiões, organiza a coleta e auxilia na logística de transporte.
O Ministério da Saúde também prevê aumentar a identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros, estruturar laboratórios de referência e implantar o congelamento de bolsas, técnica que poderá permitir o armazenamento por até dez anos.
Outra iniciativa anunciada é a adesão do Brasil a uma rede mundial de sangue raro, para possibilitar a solicitação de bolsas de outros países quando necessário e o compartilhamento de unidades compatíveis com pacientes no exterior.
Transporte aéreo já atende transplantes
O acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas já permite transportar gratuitamente órgãos destinados a transplantes.
Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes: 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Com a inclusão das bolsas de sangue raro nessa estrutura, o sistema passa a contar com mais uma alternativa para agilizar atendimentos em que a compatibilidade sanguínea e o tempo de deslocamento podem ser decisivos.
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*Com informações de Agência Gov