Endometriose afeta 8 milhões: veja como tratar em Uberlândia

Em campanha do Março Amarelo, especialista do HC-UFU explica o caminho para o diagnóstico precoce e o fluxo de atendimento pelo SUS na região

, em Uberlândia

-

Google News

A endometriose, condição inflamatória que atinge 8 milhões de brasileiras, exige atenção imediata aos sintomas para um diagnóstico precoce. Em Uberlândia, o suporte especializado pelo SUS é centralizado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/HU Brasil). O fluxo de atendimento começa obrigatoriamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou UAIs, onde a paciente recebe a avaliação inicial e o encaminhamento via regulação municipal para o ambulatório do hospital.

Endometriose
Campanha nacional acende alerta para doença que pode afetar milhões de brasileiras – Crédito: Freepik/Reprodução

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Para o ginecologista Rodrigo Manieri Rocha, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, o número pode ser ainda maior diante das dificuldades de diagnóstico. “É uma doença extremamente comum, infelizmente. As estimativas mais otimistas calculam que 10% da população feminina podem estar cometidas com endometriose. Hoje, a gente sabe que esse número pode ser bem maior. A partir do momento que melhorarem as condições do diagnóstico, talvez a gente vá ver algumas modificações nesse cenário, ao longo do tempo”, detalha.

Como identificar a endometriose?

A doença manifesta-se principalmente através de sinais físicos que surgem ou se intensificam durante o período menstrual. De acordo com o ginecologista, os sintomas mais comuns são:

  • Dor pélvica acentuada: Cólicas de forte intensidade durante o ciclo;
  • Dor profunda na relação sexual: Desconforto durante ou após o ato;
  • Sintomas urinários e intestinais: Dor ou dificuldade para evacuar e urinar no período menstrual;
  • Dificuldade reprodutiva: A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina.

Diagnóstico precoce reduz impacto

Identificar a doença nos estágios iniciais é um dos principais fatores para evitar complicações, como dor crônica e infertilidade. O acompanhamento médico permite definir estratégias de tratamento mais eficazes e alinhadas ao perfil da paciente, inclusive no planejamento reprodutivo.

O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica, exames de imagem e, em casos específicos, procedimentos mais detalhados.

Manieri reforça que antecipar a identificação da doença é determinante para reduzir complicações ao longo da vida da paciente. “O quanto antes a gente puder fazer o diagnóstico, menor a chance dessa pessoa ter o desenvolvimento de outras síndromes de dor crônica mais graves. Iniciar o tratamento no momento mais oportuno possível é extremamente importante, inclusive para o planejamento reprodutivo dessa mulher, caso a endometriose possa ter um impacto, eventualmente, na capacidade de reprodução. A gente pode diminuir muito o impacto do problema se o diagnóstico for feito corretamente e na hora certa”.

Passo a passo para o atendimento em Uberlândia

Para as pacientes que residem em Uberlândia e região, o tratamento especializado é oferecido pelo HC-UFU (HU Brasil/Ebserh). O acesso ao serviço é feito exclusivamente por meio do sistema de regulação pública:

  1. Consulta na Rede Básica: A paciente deve procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou a UAI do seu bairro para a avaliação inicial com um clínico ou ginecologista da rede municipal.
  2. Encaminhamento: Se houver suspeita clínica, o médico solicita a inserção da paciente na fila de regulação da Secretaria Municipal de Saúde.
  3. Atendimento Especializado: Uma vez autorizada a vaga, a paciente é acolhida no Ambulatório de Ginecologia Geral do HC-UFU, onde terá acesso a exames diagnósticos e especialistas.
×

Leia Mais

Tratamento e estilo de vida

Sobre o tratamento, o ginecologista explica que a conduta varia conforme o quadro clínico e a gravidade da doença, podendo envolver desde terapia hormonal até intervenção cirúrgica. “O tratamento cirúrgico pode ser necessário, porque algumas lesões podem causar bastante dor em locais específicos da pelve, próximos de nervos ou afetando outros órgãos como a bexiga e o intestino. Outros tratamentos como mudança do estilo de vida, ajuste de alimentação e outras alternativas para o controle da dor também podem ser bastante interessantes ao longo do tempo, a depender da gravidade do problema”, pontua.

Além da intervenção médica, hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, atividade física e repouso são pilares fundamentais. “Evitar processos inflamatórios no corpo é muito importante para diminuir o impacto da doença”, conclui o especialista.