Cientista brasileiro entra para a lista dos 10 que moldaram a ciência em 2025

Luciano Moreira é o responsável pelo estudo da Wolbachia, aplicada ao Aedes aegypti para impedir a transmissão do vírus da dengue, zika e chikungunya; Uberlandia possui o método

, em Uberlândia

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O engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira entrou para a lista das 10 pessoas que moldaram a ciência em 2025, publicado pela revista científica Nature. O cientista brasileiro foi responsável pela expansão do método Wolbachia de combate à dengue no Brasil desde 2012.

O cientista atua há mais de uma década, em parceria com outros cientistas, no estudo da bactéria natural Wolbachia, comum em diversas espécies de insetos. Apelidados de wolbitos, a bactéria é aplicada ao mosquito Aedes aegypti para impedir a transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya.

Luciano Andrade Moreira, cientista brasileiro que entrou para lista da Nature's 10
Luciano Andrade Moreira, cientista brasileiro que entrou para lista da Nature’s 10, se interessou por mosquitos ainda em 1990 – Crédito: Peter Ilicciev/WMP Brasil/Fiocruz

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Segundo a Agência Brasil, o pesquisador demonstrou que mosquitos infectados pela bactéria têm menor chance de contrair esses vírus em artigo publicado em 2009. A Nature explica que ainda não há consenso científico sobre o mecanismo de ação, mas a Wolbachia pode competir com o vírus por recursos no organismo do inseto ou estimular a produção de proteínas antivirais.

A técnica tem potencial para transformar o controle de arboviroses. Os mosquitos infectados são liberados em áreas urbanas e, ao se reproduzirem com outros Aedes aegypti, transmitem a bactéria para as gerações seguintes, impedindo que os patógenos humanos nocivos, como o vírus da dengue, se desenvolvam dentro deles.

Esse é o trabalho realizado pela fábrica de mosquitos wolbitos localizada em Curitiba, no Paraná, e dirigida por Moreira. A unidade é fruto de uma parceria entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), organização sem fins lucrativos presente em 14 países. Segundo a Nature, a instalação produz mais de 80 milhões de ovos de mosquito.

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Hoje, o método Wolbachia integra a estratégia nacional do Ministério da Saúde para o enfrentamento das arboviroses. A implantação ocorre em Balneário Camboriú (SC), Blumenau (SC), Joinville (SC), Brasília (DF), Luziânia (GO), Valparaíso de Goiás (GO), Belo Horizonte (MG) e Uberlândia (MG). A escolha dessas localidades leva em conta indicadores epidemiológicos, especialmente o registro elevado de casos nos últimos anos.

produção de mosquitos aliados para combater a dengue
Wolbachia é uma bactéria natural, presente em mais de 60% dos insetos, mas não existe no Aedes aegypti – Crédito: Divulgação/ Biofábrica da Wolbachia

Biofábrica da Wolbachia em Uberlândia

A primeira biofábrica da Wolbachia do interior de Minas Gerais foi inaugurada em Uberlândia no último dia 14 de novembro. A fábrica funcionará em parceria com o Ministério da Saúde, Fiocruz, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e Prefeitura Municipal.

O espaço é capaz de produzir 3,5 milhões de mosquitos por semana, segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde de Minas Gerais, Eduardo Campos Prosdocimi. Eles serão liberados em áreas selecionadas conforme o risco epidemiológico da cidade, reforçando ações preventivas no período de maior circulação viral.

Quem é o cientista brasileiro Luciano Moreira

Luciano Moreira é pesquisador licenciado da Fiocruz e diretor-presidente da Wolbito do Brasil. Segundo a Nature, seu interesse por mosquitos começou no final da década de 1990, quando ele fazia pós-doutorado no laboratório do entologista molecular Marcelo Jacobs, nos Estados Unidos.

O que é a Revista Nature

Publicada desde 1869 no Reino Unido, a Nature é considerada a revista científica mais citada do mundo. A lista “Nature’s 10” não funciona como um prêmio ou ranking acadêmico, mas destaca internacionalmente nomes que desempenham papéis relevantes na ciência global. Em 2023, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) integrou a seleção pelo trabalho de combate ao desmatamento na Amazônia Legal.