Brasil é o 3º país com mais doadores de medula óssea, mas milhares ainda aguardam por transplante
Com quase 6 milhões de voluntários cadastrados, país é referência mundial, mas a compatibilidade genética continua sendo o maior desafio para pacientes que esperam por uma chance de cura
O Brasil possui um dos maiores bancos de doadores de medula óssea do mundo, mas isso ainda não é suficiente para garantir uma resposta rápida a todos os pacientes que aguardam por um transplante. Atualmente, o país reúne cerca de 5,9 milhões de voluntários cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), ocupando a terceira posição mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha.
Apesar dos números expressivos, milhares de brasileiros seguem na fila à espera de um doador compatível. A realidade ganha destaque durante a campanha Junho Laranja, que busca conscientizar a população sobre a importância da doação e da atualização dos dados cadastrais dos voluntários.
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), mais de 2,5 mil pacientes aguardam atualmente por um transplante que pode representar a única alternativa de tratamento para doenças como leucemia, linfoma e anemias graves.

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Doadores de medula óssea enfrentam desafio da compatibilidade genética
O principal obstáculo não está apenas no número de voluntários cadastrados, mas na dificuldade de encontrar compatibilidade genética entre doador e paciente. Apenas cerca de 25% dos pacientes conseguem encontrar um doador compatível dentro da própria família. Os demais dependem da busca realizada nos bancos nacionais e internacionais.
Em alguns casos, a chance de encontrar uma compatibilidade fora do núcleo familiar pode ser de apenas uma pessoa entre 100 mil cadastrados. Por isso, especialistas defendem que ampliar a diversidade genética do cadastro é tão importante quanto aumentar o número total de inscritos.
Minas Gerais tem mais de 676 mil doadores cadastrados
Minas Gerais ocupa posição de destaque no cenário nacional da doação de medula óssea. Dados dos hemocentros mostram que o estado possui 676.274 doadores cadastrados, número equivalente a 3,29% da população mineira, estimada em aproximadamente 20,5 milhões de habitantes.
Dentro da Região Sudeste, Minas responde por 25,14% dos registros, ficando atrás apenas de São Paulo.
Doadores cadastrados no Sudeste
- São Paulo: 1.537.325
- Minas Gerais: 676.274
- Rio de Janeiro: 282.497
- Espírito Santo: 194.236
Ao todo, a Região Sudeste concentra 2.690.332 doadores, representando quase metade dos registros existentes no país.
Brasil soma mais de 6 milhões de cadastros
Levantamentos nacionais apontam que o país possui cerca de 6,1 milhões de doadores cadastrados, o equivalente a aproximadamente 3,02% da população brasileira.
A distribuição regional mostra a liderança do Sudeste, seguido por Sul e Nordeste.
Participação dos doadores por região
- Sudeste: 43,82%
- Sul: 20,00%
- Nordeste: 18,99%
- Centro-Oeste: 9,75%
- Norte: 7,20%
- Não informado: 0,23%
Os números colocam o Brasil entre os maiores programas de doação de medula do mundo, mas especialistas reforçam que a atualização cadastral e a entrada de novos voluntários continuam sendo fundamentais para ampliar as chances de compatibilidade.
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Um cadastro pode salvar uma vida
O transplante de medula óssea é utilizado no tratamento de diversas doenças que afetam a produção das células sanguíneas e o funcionamento do sistema imunológico. Para quem aguarda um doador compatível, cada novo cadastro representa uma possibilidade real de tratamento e sobrevivência.
Mais do que uma estatística, a inclusão de novos voluntários no Redome pode significar a oportunidade de cura para pacientes que dependem exclusivamente de um transplante para continuar vivendo.
Como se tornar um doador
O cadastro pode ser realizado em hemocentros habilitados. O processo é simples e inclui a coleta de uma pequena amostra de sangue para análise genética e inclusão dos dados no Redome.
Após o registro, o voluntário passa a integrar o banco nacional de doadores e poderá ser convocado caso seja identificado como compatível com algum paciente.