Anvisa libera medicamentos para menopausa e câncer de mama

Agência registra medicamento oral para câncer de mama avançado e terapia não hormonal contra fogachos, abrindo novas frentes no cuidado feminino

, em Uberlandia

A Anvisa acaba de registrar dois medicamentos que prometem ampliar as opções terapêuticas disponíveis para mulheres no Brasil: um tratamento oral direcionado a um tipo específico de câncer de mama avançado e uma terapia sem hormônios voltada ao alívio dos sintomas mais incômodos da menopausa. As aprovações, publicadas esta semana, representam avanços em duas condições que afetam milhões de brasileiras.

O primeiro registro é do Inluriyo, nome comercial do tosilato de inlunestranto, desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil. O medicamento é indicado para pacientes adultas com câncer de mama
Segundo o fabricante, o medicamento, desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil Ltda., é oral e indicado como monoterapia – Crédito: Reprodução/Divulgação

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O primeiro registro é do Inluriyo, nome comercial do tosilato de inlunestranto, desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil. O medicamento é indicado para pacientes adultas com câncer de mama localmente avançado, inoperável ou que já apresentou metástase, desde que o tumor tenha sido previamente tratado com terapia endócrina. Para ser elegível ao tratamento, o tumor precisa reunir três características simultâneas: ser positivo para receptor de estrogênio, negativo para o receptor HER2 e carregar mutação no gene ESR1.

A relevância do registro fica clara quando se observa os números da doença no país. O câncer de mama é a neoplasia maligna com maior incidência entre mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, entre 2023 e 2025 foram contabilizados 73.610 casos, o que equivale a 30,1% de todos os diagnósticos de câncer no sexo feminino. O Inluriyo será utilizado como monoterapia, ou seja, sem combinação com outros agentes.

Anvisa também abre caminho para tratamento da menopausa sem hormônios

A segunda aprovação da Anvisa contempla um público igualmente expressivo. O fezolinetanto, que chegará às farmácias brasileiras com o nome Veoza, é produzido pela Astellas Farma e representa uma alternativa não hormonal para mulheres que sofrem com as ondas de calor e os suores noturnos típicos da menopausa.

O medicamento será vendido no Brasil com o nome comercial Veoza, produzido pela Astellas Farma
Fezolinetanto, terapia não hormonal no formato oral indicada para o tratamento das ondas de calor e suores noturnos, associados à menopausa – Crédito: Reprodução/Divulgação

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O fabricante explica que, antes da menopausa, existe um equilíbrio natural entre os estrogênios produzidos pelos ovários e a neurocinina B, uma substância química do cérebro responsável por regular o centro de controle térmico do organismo. Com a chegada da menopausa e a queda nos níveis de estrogênio, esse equilíbrio se rompe, e os chamados fogachos passam a surgir com intensidade variável.

Os números revelam a dimensão do problema entre as brasileiras. Até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos relatam sintomas vasomotores moderados a intensos. No Brasil, 36,2% das mulheres nessa faixa etária convivem com esse grau de desconforto, um índice que supera em mais do dobro a média global de 15,6%. Entre as afetadas, quase 70% classificam as ondas de calor e os suores noturnos como intensos, com consequências diretas sobre o sono, a produtividade e a qualidade de vida.

A aprovação do Veoza foi respaldada por três ensaios clínicos de fase 3 conduzidos com mais de 3 mil participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, o que reforça a solidez dos dados que embasaram a decisão regulatória da Anvisa.