Anvisa alerta: uso indevido de canetas emagrecedoras pode matar

Anvisa reforça que o uso sem prescrição das canetas emagrecedoras eleva o risco de pancreatite aguda, com registros de casos graves e mortes no Brasil e no exterior

, em Uberlandia

A Anvisa emitiu um novo alerta sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras e reforçou que a utilização desses medicamentos fora das indicações previstas em bula pode causar pancreatite aguda, incluindo formas graves, com risco de morte. Segundo a agência, o uso sem prescrição e acompanhamento médico aumenta de forma significativa a ocorrência de eventos adversos.

 

Canetas emagrecedoras. Mulher aplica injeção na barriga.
OMS alerta para um tratamento que inclui dietas saudáveis, atividade física regular e acompanhamento médico – Créditos: Freepik

A orientação foi reforçada neste mês diante do crescimento no número de notificações relacionadas aos medicamentos agonistas do receptor GLP 1, grupo que inclui substâncias amplamente conhecidas pelo público por seu efeito no controle do peso. A Anvisa destaca que esses remédios devem ser utilizados exclusivamente conforme a bula e sob supervisão de profissional habilitado.

Canetas emagrecedoras e risco de pancreatite preocupam autoridades

De acordo com a Anvisa, há risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido das canetas emagrecedoras, condição que pode evoluir rapidamente, provocar necrose e levar o paciente à morte. Entre 2020 e o ano passado, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos no Brasil, relacionadas aos princípios ativos desses medicamentos e a diferentes tipos de pancreatite.

Embora a agência ressalte que os casos ainda são considerados suspeitos e não confirmados, os números mostram crescimento contínuo. Em 2024, foram registradas 28 notificações, enquanto o resultado parcial do ano passado aponta 45 ocorrências. Do total de registros, seis tiveram desfecho letal. Quando consideradas também as notificações coletadas em pesquisas clínicas, o número chega a 225 relatos de eventos adversos.

Alerta da Anvisa reflete problema observado no mundo

O aumento das notificações não se limita ao Brasil. Dados divulgados pela autoridade reguladora de medicamentos do Reino Unido indicam que, entre 2007 e outubro de 2025, foram recebidas quase 1,3 mil notificações de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras, incluindo 19 mortes. Para a Anvisa, esse cenário internacional reforça a necessidade de ampliar as orientações de segurança no país.

Apesar do alerta, a agência esclarece que não houve mudança na relação entre risco e eficácia desses medicamentos. Segundo o órgão, os benefícios terapêuticos continuam superando os riscos quando o uso segue as indicações aprovadas em bula e ocorre com acompanhamento médico adequado.

Uso sem indicação médica aumenta riscos das canetas emagrecedoras

A Anvisa chama atenção para o uso indiscriminado das canetas emagrecedoras, especialmente com finalidade estética ou para emagrecimento rápido, sem necessidade clínica. Esse tipo de prática, segundo o órgão, eleva significativamente o risco de efeitos adversos graves e dificulta o diagnóstico precoce de complicações como a pancreatite.

A preocupação com a segurança levou à adoção de medidas regulatórias mais rígidas. Desde junho, passou a valer a exigência de retenção da receita médica para a venda desses medicamentos, conforme resolução e instrução normativa publicadas pela agência. A prescrição deve ser feita em duas vias, e a receita tem validade de até 90 dias, regra semelhante à aplicada aos antibióticos.

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Recomendações da Anvisa a respeito do uso das canetas emagrecedoras:

Recomendações aos profissionais de saúde:

  • Estar atentos ao risco de pancreatite aguda em pacientes que recebem medicamentos agonistas de GLP-1.
  • Aconselhar os pacientes a procurarem atendimento médico urgente caso desenvolvam dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e pode ser acompanhada de náuseas e vômitos, pois isso pode ser um sinal de pancreatite.
  • Se houver suspeita de pancreatite, interromper imediatamente o tratamento com o medicamento agonista de GLP-1.
  • Não reiniciar o tratamento se o diagnóstico de pancreatite for confirmado.
  • Os medicamentos agonistas de GLP-1 devem ser usados com cautela em pacientes com histórico de pancreatite.
  • Notificar qualquer suspeita de reação adversa no VigiMed.

Recomendações aos pacientes:

  • Não usar agonistas de GLP-1 sem prescrição e acompanhamento médico.
  • Procurar atendimento urgente ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e pode ser acompanhada de náuseas e vômitos, pois isso pode ser um sinal de pancreatite.  
  • Nunca reiniciar o medicamento caso tenha tido pancreatite confirmada.
  • Não adquirir medicamentos por fontes não confiáveis (internet, comércio informal).
  • Notificar qualquer suspeita de reação adversa no VigiMed.

Histórico de alertas reforça monitoramento constante

Nos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados aos agonistas de GLP 1. Em 2024, a agência informou que o uso desses medicamentos associado à anestesia ou sedação profunda pode aumentar o risco de aspiração e pneumonia. No ano seguinte, um novo comunicado alertou para casos raros de perda de visão irreversível associados à semaglutida.

Para a Anvisa, esses alertas demonstram o monitoramento contínuo a respeito das canetas emagrecedoras, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional. A agência orienta que pacientes procurem atendimento médico imediato ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas compatíveis com pancreatite.

A Anvisa também reforça a importância da notificação de eventos adversos das canetas emagrecedoras no sistema VigiMed. Segundo o órgão, a subnotificação pode atrasar a identificação de novos riscos e comprometer a adoção de medidas regulatórias para proteger a saúde da população.