Amamentação exclusiva nos primeiros seis meses não atinge meta do governo

Meta do governo é ampliar o aleitamento materno exclusivo até 2030, reforçando os inúmeros benefícios para mães e bebês, como nutrição e proteção

, em Uberlândia

A amamentação exclusiva até os seis meses de vida ainda é realidade para menos da metade dos bebês, ou seja, eles não consomem nenhum outro tipo de alimento ou bebida, como água, chás, sucos, papinhas ou fórmulas infantis. Diante dos dados, o Ministério da Saúde estabeleceu uma meta ousada: alcançar 70% de aleitamento materno exclusivo até 2030. A estratégia ganha destaque durante a Semana Mundial da Amamentação, celebrada de 1º a 7 de agosto, e busca reforçar que o leite materno é o alimento mais completo, econômico e afetivo que um bebê pode receber, e que a amamentação é um direito garantido por lei.

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Amamentação
A Semana Mundial da Amamentação busca reforçar que o leite materno é o alimento mais completo, econômico e afetivo que um bebê pode receber – Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, publicado em 2021, 45,8% das crianças brasileiras menores de seis meses são alimentadas apenas com leite materno. Apesar de o número ainda estar abaixo da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) — de 50% até 2025 —, ele representa uma evolução significativa nas últimas décadas. Em 1986, o índice era de apenas 3%. Hoje, a média nacional de duração do aleitamento é de 16 meses, o que equivale a 1 ano e 4 meses.

A importância da amamentação

Além de nutritivo, o leite materno é fonte de proteção contra doenças. Bebês que são amamentados têm menos chances de desenvolver infecções, desnutrição e até doenças crônicas ao longo da vida. Para a mãe, os benefícios também são importantes: a amamentação reduz o risco de câncer de mama e ovário, ajuda na recuperação pós-parto e fortalece o vínculo emocional com o filho.

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A recomendação dos órgãos de saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) é clara. Até os seis meses de vida o bebê deve receber apenas leite materno, nada de água, chás ou outros leites. A partir daí, a introdução alimentar deve ser feita com equilíbrio, mantendo a amamentação até os dois anos de idade ou mais.

Outro ponto de atenção é o início precoce da amamentação. O aleitamento na primeira hora de vida aumenta as chances de sobrevivência do recém-nascido e ajuda a mãe, promovendo contrações uterinas e prevenindo hemorragias. O colostro, aquele leite amarelado dos primeiros dias, é rico em anticorpos e funciona como a primeira vacina natural do bebê.

Porém, nem todas as mães se sentem preparadas para amamentar e esse é um desafio que precisa do apoio de todos. Pais, familiares, profissionais de saúde, empregadores e a sociedade devem estar engajados para acolher e orientar a mulher que amamenta. “A amamentação não deve ser tratada como privilégio, mas como um direito de mães e filhos”, disse Jersey Timoteo, secretário adjunto de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.

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Mesmo mulheres que trabalham fora podem continuar amamentando. É possível retirar o leite durante o expediente e armazená-lo de forma adequada. Leis trabalhistas e políticas públicas também devem garantir ambientes que respeitem e incentivem esse processo.

Casos especiais, como o de mães que são portadoras de HIV, exigem acompanhamento médico. Nesses casos, é possível recorrer a fórmulas infantis gratuitas, sempre com orientação profissional para garantir segurança e afeto no processo de alimentação.