1 a cada 10 pacientes tem infecção hospitalar: sistema de alunos da UFU busca reduzir o índice
Projeto é apresentado em Budapeste, no em evento de inovação tecnológica de saúde; quadro clínico representa um problema de saúde em todo o mundo
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Em Budapeste, na Hungria, alunos de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), se apresentam nesta quinta e sexta-feira (29), em um evento de inovação de saúde, o Innovation Days (i-Days) – com o projeto de um sistema de alerta que busca reduzir a taxa de incidências de infecções hospitalares.
Esse quadro clínico representa um grave problema para os sistemas de saúde em todo o mundo. Segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) em seus relatórios, estima-se que 1 em cada 10 pacientes hospitalizados contraia uma infecção durante sua estadia em um ambiente hospitalar.
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Essas infecções aumentam significativamente a taxa de mortalidade, a duração da internação e os custos hospitalares, impactando tanto a saúde pública quanto os recursos financeiros dos hospitais. Segundo a Associação Médica Brasileira, mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido a infecções hospitalares.
No Brasil, as taxas de infecções hospitalares representam de 5% a 14% do total de internações. Essas infecções resultam da interação entre agentes patogênicos (microrganismos ou suas toxinas), o hospedeiro (paciente) e o ambiente hospitalar, manifestando-se por sinais e sintomas como febre, debilidade, dor no local afetado e alterações em exames laboratoriais
Os números destacam a importância de estratégias eficazes para reduzir a incidência de infecções em ambientes hospitalares.
“Infecções hospitalares são um problema que afeta tanto pacientes quanto a própria estrutura dos hospitais. Para muitos, isso representa não apenas uma complicação na saúde, mas também um aumento considerável nos custos e tempo de tratamento”, afirma Arthur Bastos, integrante do grupo e estudante da UFU.
O estudante de engenharia biomédica realiza mobilidade acadêmica na Universidade de Coimbra (UC) em Portugal, juntamente do colega, Patrick Carneiro. Os brasileiros se juntaram a alunos de outros países, Beatriz Oliveira, enfermeira portuguesa e Adebare Adeleke, microbiologista nigeriano e formaram um grupo multidisciplinar.
Juntos, eles participaram da etapa do evento em Portugal, no início de novembro, o Cantanhede Innovation Days, em Cantanhede. O grupo conquistou o primeiro lugar na premiação – garantindo a oportunidade de avançar para etapa internacional do desafio, o European i-Days, que reúne projetos de outros países europeus.
“A etapa nacional de Portugal foi desafiadora, mas, ao mesmo tempo, extremamente gratificante. Nosso objetivo é agora apresentar nossa ideia em Budapeste, com a esperança de que ela possa realmente fazer a diferença na luta contra as infecções hospitalares“, compartilhou Arthur.
Agora, o grupo se apresenta na fase internacional do evento, onde competirá com equipes de diferentes países com outras soluções tecnológicas.

CareMinder: sistema de alerta para higienização
O projeto desenvolvido pela equipe foca em uma solução simples, porém eficaz: uma tag de aviso luminoso e vibratório, integrado a um sistema de alerta para higienização das mãos, utilizando tecnologia RFID (Identificação por Radiofrequência).
“Nosso objetivo é criar um dispositivo que ajude os profissionais de saúde a lembrar de higienizar as mãos, especialmente em momentos críticos, como ao entrar em contato com pacientes ou antes de procedimentos cirúrgicos“, explicou Arthur.
O sistema consiste em um dispositivo de baixo custo que seria instalado em áreas-chave dos hospitais, como entradas de quartos de pacientes e salas de procedimentos.
Quando o profissional de saúde se aproxima dessas áreas, o sistema emite um alerta vibratório, lembrando-o da necessidade de higienizar as mãos antes de entrar em contato com o paciente.
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“Essa tecnologia pode ser implementada em qualquer hospital, independentemente de seu tamanho, e não sobrecarrega a rotina dos profissionais. Queremos algo simples, eficaz e que ajude a prevenir infecções de forma prática e acessível”, acrescentou.
Ainda conforme os levantamentos e relatórios anuais da OMS, ações simples como a higienização das mãos, incentivada por meio do uso de tecnologias como essa, pode reduzir em até 50% a incidência de infecções hospitalares além da redução de custos no orçamento da saúde, devido à redução de complicações e tempo de internação.
A Campanha “Salve Vidas: Limpe Suas Mãos” da organização, por exemplo, vem reforçando, desde 2005, que o cuidado e as práticas de higiene tem a capacidade de prevenir as infecções nos ambientes hospitalares.
“Um dos problemas que identificamos é que as infecções hospitalares ocorrem, em muitos casos, devido à falta de higienização das mãos pelos profissionais de saúde. Tanto médicos quanto enfermeiros, com a rotina pesada, muitas vezes esquecem de lavar as mãos ao entrar em contato com os pacientes. Isso acontece por diversos motivos, não apenas pela falta de conhecimento sobre a importância da higienização”, conta.

A ocorrência das infecções hospitalares (IHs) está relacionada à exposição dos pacientes a uma variedade de agentes infecciosos e patógenos, bem como à realização de procedimentos invasivos e ao uso de antimicrobianos, que favorecem seu desenvolvimento.
“Os principais tipos de infecção são as pneumonias, as infecções urinárias e as infecções relacionadas a dispositivos vasculares, aquelas relacionadas aos cateteres. Essas são as infecções mais comuns”, explica a pesquisadora do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Diana Ventura.
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Próximos passos
Com o apoio da Universidade de Coimbra, o grupo já iniciou o aprimoramento da solução proposta. “Estamos recebendo suporte valioso de mentores, o que está nos permitindo ajustar o projeto para atender ainda melhor às necessidades dos hospitais“, disse Arthur.
A equipe já está em conversas com hospitais em Portugal, que se mostraram interessados em realizar um projeto-piloto para testar a viabilidade do sistema, se for da vontade do grupo. No entanto, o grupo também aguarda a possibilidade de retorno para o Brasil, no próximo semestre.
A proposta do time é que o sistema possa ser aplicado tanto em grandes hospitais quanto em instituições menores e mais simples, em qualquer lugar.
“A viabilidade do projeto em hospitais públicos é fundamental para podermos levar essa solução para um público mais amplo. Com os custos baixos e a eficácia comprovada, acreditamos que podemos impactar positivamente o sistema de saúde de diferentes países”, destacou Arthur.