Frente a frente: Mauro Cid e Braga Netto participam de acareação do STF
Acareação acontece após contradições nos depoimentos de Mauro Cid e Braga Netto ao STF, sobre suposto envolvimento em tentativa de golpe de Estado
O ex-ajudante de obras de Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, e o ex-ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, estiveram frente a frente na acareação conduzida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na manhã desta terça-feira (24). A acareação é um procedimento jurídico que acontece quando duas ou mais pessoas prestam declarações contraditórias sobre um mesmo fato.
A sessão foi fechada, diferente dos interrogatórios que ouviu ex-integrantes da cúpula do governo de Jair Bolsonaro, acusados de tentar um golpe de Estado para manter o ex-presidente no poder após perder a eleição de 2022. A acareação foi pedida pela própria defesa de Braga Netto, devido às divergências entre os depoimentos prestados pelos dois à Justiça.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Segundo informações do site R7, o ministro do STF Luiz Fux e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, acompanharam a audiência. A defesa de Jair Bolsonaro também assistiu às acareações, com a autorização de Alexandre de Moraes.
O general Braga Netto está preso desde 14 de dezembro no Rio de Janeiro (RJ), por ser acusado pela Polícia Federal (PF) de tentar atrapalhar as investigações e tentar contato com Mauro Cid, o delator da suposta tentativa de golpe. Com tornozeleira eletrônica, o ex-ministro da Defesa se deslocou até Brasília (DF) para a acareação.
Leia Mais
Afinal, quais eram as contradições?
O primeiro ponto de contradição nos depoimentos é sobre um encontro realizado em 12 de novembro de 2022, na residência de Braga Netto. Mauro Cid afirmou que a reunião se tratava sobre o plano “Punhal Verde e Amarelo” e que ele deixou o local a pedido do general para tomar providências operacionais.
Segundo o ex-ajudante de obras de Bolsonaro, a conversa foi marcada por insatisfação com o processo eleitoral e a atuação das Forças Armadas. No entanto, o general negou que tenham se reunido com o intuito político ou operacional. Braga Netto alegou que Mauro Cid e outros dois membros do grupo das Forças Especiais estiveram na sua casa apenas para conhecê-lo.
Mauro Cid ainda disse que, após o encontro, um dos presentes o procurou em busca de recursos, mencionando R$ 100 mil em tom de brincadeira. Cid afirmou que procurou Braga Netto, que o orientou a falar com o tesoureiro do Partido Liberal (PL). Segundo o tenente-coronel, o partido recusou a solicitação e ele recebeu uma quantia em dinheiro do próprio general, em uma caixa de vinho.
MAIS! Mauro Cid é interrogado pelo STF sobre tentativa de golpe de Estado
O ex-ministro negou a acusação, dizendo que foi consultado por Cid sobre a possibilidade de obter recursos com o PL, algo que, segundo ele, era comum em períodos de campanha. Ele afirmou que orientou Mauro Cid a procurar o tesoureiro, mas que, após a negativa, não fez nada.