Entenda a eleição indireta no Rio

Decisão do TSE, ausência de vice e crise política explicam por que a Alerj escolheu o novo comando do estado em votação indireta

, em Uberlandia

A eleição indireta no Rio de Janeiro foi resultado de uma crise política em cadeia que derrubou o governador, esvaziou a linha sucessória e obrigou a Assembleia Legislativa a escolher, às pressas, quem comandará o estado até o fim do ano. Nesta quinta-feira (26), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro elegeu o deputado estadual Douglas Ruas para a presidência da Casa, movimento que, na prática, o coloca no comando do governo estadual até o fim do ano.

Eleição indireta no Rio levou Douglas Ruas ao Governo do Estado
Ruas declarou patrimônio superior a R$ 1,2 milhão e apresentou trajetória ligada à segurança pública – Crédito: ALERJ/Divulgação

A votação foi expressiva, com 45 votos favoráveis entre os 47 deputados presentes. Parte da oposição decidiu não participar do processo, enquanto outros parlamentares sequer compareceram, o que aumentou a tensão em torno da legitimidade da escolha. Ainda assim, o resultado consolidou Ruas, de 37 anos, como peça central na reorganização do poder no estado.

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A eleição indireta no Rio não ocorreu por acaso. O processo foi determinado pela Justiça Eleitoral após a cassação do mandato do então governador Cláudio Castro, no último dia 24. A decisão também atingiu o deputado Rodrigo Bacellar, que ocupava a presidência da Alerj e era peça-chave na linha sucessória. Com isso, abriu-se um vácuo de poder que exigiu uma solução institucional.

Eleição indireta no Rio e o vazio na sucessão

O cenário começou a se desenhar ainda em maio de 2025, quando o estado ficou sem vice-governador após a renúncia de Thiago Pampolha para assumir um cargo no Tribunal de Contas do Estado. A partir daí, o presidente da Alerj passou a ser o primeiro na linha sucessória do Executivo.

No entanto, a situação se agravou em dezembro do mesmo ano, quando Rodrigo Bacellar foi preso em uma operação da Polícia Federal que investigava a ligação de políticos com o crime organizado. Mesmo após ser solto, ele foi afastado da presidência da Assembleia por decisão do Supremo Tribunal Federal.

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Com isso, a presidência da Alerj passou a ser exercida interinamente por Guilherme Delaroli. Por estar em condição temporária, ele não poderia assumir o governo, o que manteve a instabilidade política no estado.

A crise se intensificou quando Cláudio Castro renunciou ao cargo na última segunda-feira (23), sinalizando interesse em disputar uma vaga no Senado. A saída ocorreu em meio a um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que terminou com a cassação de seu mandato e sua inelegibilidade até 2030.

Diante desse cenário, a Justiça Eleitoral determinou que a escolha do novo chefe do Executivo deveria ocorrer por meio de eleição indireta no Rio, realizada pela própria Assembleia Legislativa.

Disputa política e contestação da oposição

A condução da votação gerou críticas por parte da oposição, que optou por boicotar o processo e questionar judicialmente o resultado. Parlamentares alegam que não houve respeito ao prazo mínimo para organização da eleição, o que teria prejudicado a formação de candidaturas alternativas.

Segundo relatos, a convocação ocorreu com poucas horas de antecedência, o que inviabilizou a articulação de uma chapa adversária. Para os opositores, o procedimento compromete a transparência e a legitimidade da escolha.

Apesar das contestações, a base governista, que reúne os principais nomes envolvidos na crise recente, conseguiu manter o controle do processo e garantir a eleição de Douglas Ruas.

Quem é Douglas Ruas

Natural de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, Douglas Ruas construiu carreira política com forte ligação à administração municipal. Filho do prefeito Capitão Nelson, ele já ocupou cargos estratégicos na gestão pública, incluindo funções nas áreas de trabalho, meio ambiente e projetos especiais.

Eleito em 2022 como um dos deputados estaduais mais votados, Ruas declarou patrimônio superior a R$ 1,2 milhão e apresentou trajetória ligada à segurança pública e à gestão administrativa.

Agora, com a eleição indireta no Rio, ele assume o desafio de comandar o estado em meio a uma crise política complexa, marcada por disputas judiciais, questionamentos institucionais e um cenário de forte polarização na Assembleia Legislativa.