Conselho da Paz: quem aceitou ou recusou o convite de Trump

Lançado por Donald Trump em Davos, o Conselho da Paz reúne aliados para tratar de Gaza, enfrenta recusas de países europeus e aguarda a resposta do Brasil

, em Uberlândia

-

O Conselho da Paz lançado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganhou projeção internacional após o anúncio oficial no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, e já provoca divisões entre países convidados, com confirmações, recusas explícitas e silêncio de potências como o Brasil.

 

Donald Trump cria Conselho da Paz
Donald Trump – Crédito: YouTube/Reprodução

No discurso de lançamento, Trump afirmou que o Conselho da Paz nasce com o objetivo de pacificar e reconstruir Gaza, mas deixou claro que o grupo poderá atuar em outros conflitos globais. Apesar de citar que dezenas de países estariam alinhados, apenas parte deles formalizou o compromisso, enquanto outros rejeitaram publicamente a proposta ou ainda avaliam o convite.

O que é o Conselho da Paz?

O Conselho da Paz é um colegiado idealizado, criado e presidido por Donald Trump, sem ligação formal com organismos multilaterais já existentes. Segundo o presidente norteamericano, o grupo foi concebido para supervisionar diretrizes políticas e administrativas ligadas à Faixa de Gaza, em articulação com um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, mas com possibilidade de expansão para outros temas internacionais.

Trump criticou a atuação da ONU, embora tenha declarado que o Conselho da Paz pretende trabalhar em conjunto com as Nações Unidas. Após o discurso em Davos, o presidente assinou o documento que oficializou a criação do conselho ao lado de líderes aliados. Os países que aceitarem participar terão mandato de três anos e, para garantir uma cadeira permanente, precisam contribuir financeiramente com um fundo bilionário sob gestão dos Estados Unidos.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Quais países vão participar, quais negaram e quais não responderam

Até o momento, o Conselho da Paz conta com a adesão confirmada de países como Estados Unidos, Argentina, Arábia Saudita, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bulgária, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Qatar, Turquia, Uzbequistão e Vietnã.

Em sentido oposto, Canadá, Eslovênia, Espanha, França, Noruega e Suécia já informaram que não irão integrar o conselho proposto por Trump. Outros países seguem sem resposta oficial, entre eles Alemanha, Brasil, China, Croácia, Itália, Reino Unido, Rússia, Cingapura e Ucrânia, o que mantém o cenário de incerteza sobre a real abrangência do grupo.

Posicionamento do Brasil

O Brasil recebeu oficialmente o convite para integrar o Conselho da Paz, segundo confirmou o próprio Donald Trump, que declarou publicamente simpatia pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que ele teria um papel relevante no colegiado. Até agora, porém, o Palácio do Planalto não sinalizou se aceitará ou não a participação.

Lula tem adotado um discurso crítico à iniciativa, afirmando que a política internacional vive um momento de enfraquecimento do multilateralismo e que a proposta de Trump se assemelha à criação de uma nova ONU sob controle de um único país. O presidente brasileiro também disse estar em diálogo com outros líderes globais para discutir alternativas que preservem a cooperação internacional e rejeitem soluções impostas unilateralmente, reforçando que o Brasil defende a paz, o diálogo e o respeito à soberania entre as nações.