Condenado por atos de 8 de janeiro volta para prisão domiciliar em Uberlândia
Decisão do STF considera condição de saúde mental, histórico de cumprimento das medidas e tempo de custódia do réu
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), restabeleceu a prisão domiciliar do ex-policial Marco Alexandre Machado de Araújo, de 56 anos, condenado a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A decisão foi assinada na segunda-feira (20) e determina a soltura do réu do Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia.
Marco havia sido levado ao presídio na última sexta-feira (17), após o início do cumprimento da pena em regime fechado, determinado depois do trânsito em julgado da condenação, quando não há mais possibilidade de recurso. Com a nova decisão, ele volta a cumprir a pena em casa, sob medidas cautelares.
O ex-policial foi condenado por crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Além da pena de prisão, ele e outros envolvidos deverão pagar, de forma solidária, R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
Na decisão, Moraes considerou a condição de saúde do réu, diagnosticado com transtorno esquizoafetivo, além do tempo de custódia, cerca de três anos entre prisão preventiva, regime fechado e domiciliar, e o cumprimento integral das medidas impostas anteriormente.
Segundo o ministro, o réu realiza acompanhamento psiquiátrico semanal autorizado pelo STF, o que reforça a necessidade de compatibilizar o tratamento de saúde com a execução da pena.
Medidas cautelares
Para permanecer em prisão domiciliar, Marco Alexandre deverá cumprir uma série de restrições impostas pelo Supremo:
- uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
- proibição de utilizar redes sociais, inclusive por terceiros;
- proibição de manter contato com outros investigados;
- proibição de conceder entrevistas sem autorização do STF;
- restrição de visitas, permitidas apenas a advogados, pais, irmãos ou pessoas autorizadas pela Corte.
O descumprimento de qualquer uma dessas medidas pode levar ao retorno imediato ao regime fechado.
Leia Mais
Histórico
Antes da condenação definitiva, Marco Alexandre ficou preso no Complexo da Papuda, em Brasília, desde abril de 2023. Em abril de 2025, ele passou para o regime domiciliar por decisão do STF, em razão de sua condição psiquiátrica.
Com o trânsito em julgado da ação penal em março de 2026, o ministro determinou o início do cumprimento da pena em regime fechado. Dias depois, no entanto, a defesa solicitou a manutenção da prisão domiciliar, pedido agora aceito pela Corte.