Amor por Taylor Swift gera proposta de repúdio na Câmara de Uberlândia

Projeto de moção de repúdio à jornalista gerou discussão entre vereadores, mas não alcançou apoio suficiente no plenário

, em Uberlândia

Uma proposta de repúdio votada nesta quarta-feira (11) na Câmara de Uberlândia chamou a atenção pelo conteúdo inusitado. Vereadores de Uberlândia debateram uma manifestação contrária à repórter Mariana Spinelli, da Rede Globo, por usar uma camiseta do Sagrado Coração de Jesus modificada com o rosto da cantora Taylor Swift, durante a transmissão de um jogo da NFL no Brasil.

Motivo da proposta de repúdio na camara de Uberlândia
Mariana Spinelli, jornalista esportiva e fã da Taylor Swift – Crédito: Reprodução/Redes Sociais


A proposta de repúdio da Câmara de Uberlândia (N° 568/2025) teve autoria de nove vereadores: Janaína Guimarães, Adriano Zago, Anderson Lima, Antônio Carrijo, Edinho Combate ao Câncer, Gláucia da Saúde, Ivan Nunes, Pezão do Esporte e Sargento Ednaldo; e foi arquivada por não alcançar a quantidade de votos necessária.

O projeto foi protocolado em outubro do ano passado, próximo ao evento esportivo e, em janeiro deste ano, passou pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação da casa, que não colocou nenhum obstáculo à proposta. Situação bem diferente da votação em plenário nesta quarta.

A moção foi rejeitada com 13 votos favoráveis, dois votos contrários e duas abstenções. Conforme consta no  § 1° do art. 232, do Regimento Interno, a moção de repúdio na Câmara de Uberlândia deve ser subscrita por, no mínimo, um terço dos membros do colegiado, e deve ser aprovada em Plenário, pelo quorum qualificado de dois terços. A Câmara de Uberlândia tem 27 vereadores, ou seja, faltaram 5 votos para que a moção fosse aprovada.

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Na proposta de repúdio, os autores argumentaram que a conduta de Mariana Spinelli “além de um desrespeito à fé cristã, professada por milhões de brasileiros, configura uma afronta direta à sensibilidade religiosa de grande parte da população”. Segundo a justificativa dada pelos parlamentares, o ato da jornalista foi uma forma de violência cultural e espiritual “contra aqueles que conhecem em Jesus a mais alta expressão de pureza”.

“A zombaria dirigida ao Sagrado não atinge apenas o âmbito religioso, mas afronta diretamente a fé cristã em Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador da humanidade. Em Jesus, encontramos o exemplo perfeito de humildade, obediência e amor infinito, que deu a vida pela redenção de todos. Distorcer a sua imagem é um ato que fere valores universais de respeito, crença, fé e dignidade”, citam os autores na justificativa.

Ainda segundo os vereadores, o episódio não enriquece o debate público, apenas banaliza o sagrado e reforça uma cultura de deboche “contra tudo o que é elevado, puro e transcendente”. Com base nesses argumentos, os vereadores propunham uma moção pública contra a atitude de Mariana Spinelli e à emissora.

O episódio por trás da proposta de repúdio na Câmara de Uberlândia

Mariana Spinelli utilizou a camiseta da Taylor Swift durante uma partida entre Kansas City Chiefs e Los Angeles Charges, realizada na Neo-Química Arena, em São Paulo. A partida aconteceu na primeira semana de jogos da temporada 2025-2026 da NFL (National Football League), principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, no dia 5 de setembro de 2025.

A atitude da jornalista, que levou a proposta de repúdio na Câmara de Uberlândia, foi motivada por boatos de que a cantora norte-americana estaria no jogo. Na época, ela já era noiva de Travis Kelce, tight end do Chiefs, e seus fãs especulavam sua presença no jogo em São Paulo.