Seca em Uberlândia: clima altera abastecimento de água e pressiona agropecuária

Geógrafo aponta que 2025 registrou clima atípico com chuvas irregulares e secas intensas, prejudicando reservatórios, agricultura e elevando custos de energia no Triângulo

, em Uberlândia

A seca em Uberlândia costuma atingir seu período mais crítico entre julho e agosto, quando as médias climatológicas podem chegar a níveis próximos de 0 mm de chuva. Mas, em entrevista ao Paranaíba Mais o geógrafo William Borges explicou que em 2025 o comportamento foi atípico, houve precipitações fora do padrão, com dias mais frios e também mais quentes em comparação aos últimos dois anos.

Seca em Uberlândia
Irregularidade das chuvas e extremos de temperatura pressionam abastecimento e agricultura – Crédito: Freepik/Reprodução

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A neutralidade climática entre El Niño e La Niña, somada à maior presença de massas de ar polar, resultou em noites mais frias do que nos dois anos anteriores. Essa combinação pode ter dado a sensação de que houve “uma mudança no padrão”, segundo o especialista. “Em 2025 tivemos um comportamento atípico, com precipitações acima de 10 mm até julho, o que não é o padrão da nossa climatologia”, afirmou.

Impactos da seca em Uberlândia e região

A forte exposição ao calor, quando ocorre, influencia na rápida evaporação da água. Isso reduz o volume de reservatórios e pode levar ao risco de racionamento, o que atinge diretamente:

  • consumo doméstico

  • sistema de abastecimento

  • e até o custo de energia

Apesar dos desafios, Borges destaca que Uberlândia conseguiu reduzir impactos ao buscar novas fontes de captação, além do fornecimento do rio Uberabinha, o município passou a captar água também no rio Araguari, estratégia que ampliou a disponibilidade de água potável para a população.

Já em Uberaba, cidade vizinha, há menos pontos de captação de água e a bacia hidrográfica sofre maior pressão, o que resulta em medidas de racionamento. A Codau (Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas), emitiu diversos alertas e chegou a suspender o fornecimento em alguns períodos no último mês devido à seca.

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Consequências para a agricultura e pecuária

A falta de planejamento climático pode gerar prejuízo direto nas lavouras. Segundo o geógrafo, monoculturas são ainda mais sensíveis e, os custos elevados tornam a situação ainda mais difícil para o produtor “Quando não há orientação climática adequada, o produtor não consegue se programar e muitas vezes não fecha as contas.”

Na pecuária, o prejuízo também aparece, mas varia conforme o modelo produtivo:

  • Pecuária extensiva: depende de pastagem. Com atraso do crescimento do pasto, o gado emagrece e o pecuarista perde dinheiro.

  • Pecuária intensiva (confinamento): sofre menos com a estiagem, porém os insumos para alimentação do gado ficam mais caros no período seco.

Medidas de prevenção e uso consciente da água

Para o futuro, Borges afirma que a tendência é de aumento das temperaturas médias e redução dos acumulados pluviométricos anuais. “Quando se reduz Cerrado e Amazônia, se reduzem os rios voadores. E se cai a umidade que chega até nós, as chuvas diminuem.”

Em nível municipal, a Defesa Civil recomenda fomentar campanhas educativas, instalar reservatórios comunitários, ampliar fontes alternativas de água e planejar contingência para épocas de escassez.