Novo buraco negro? Estrela desaparece do céu e surpreende cientistas
Estrela desapareceu na Galáxia de Andrômeda sem registro de supernova. Pesquisadores apontam colapso direto e possível formação de buraco negro
Uma estrela desapareceu de forma silenciosa na Galáxia de Andrômeda e surpreendeu astrônomos que monitoravam seu comportamento há anos. O astro, aproximadamente 13 vezes maior que o sol, perdeu sua presença no céu sem explodir, como esperavam os cientistas. O caso envolve a supergigante identificada como M31 2014 DS1 e levanta a hipótese de que o astro tenha colapsado diretamente para formar um buraco negro, sem produzir a explosão típica de supernova.

O fenômeno foi detalhado em estudo publicado na revista Science, por cientistas da Universidade de Columbia, que descreve uma mudança drástica no brilho da estrela ao longo da última década. Entre 2005 e 2012, os registros mostravam um objeto extremamente luminoso, com temperatura superficial estimada em cerca de 4.500 Kelvin e envolto por poeira.
Com base em modelos analisados pelos pesquisadores, a estrela nasceu com aproximadamente 13 vezes a massa do Sol, mas perdeu boa parte de sua camada externa ao longo da vida. No estágio final, restavam cerca de cinco massas solares.
Mudança de brilho antecedeu o sumiço
Em 2014, os cientistas detectaram um aumento discreto no brilho em faixas de luz invisíveis ao olho humano, com crescimento de cerca de 50 por cento em dois anos. Depois desse período, a luminosidade na faixa óptica despencou de forma acentuada.
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Entre 2017 e 2022, o brilho visível caiu a níveis praticamente indetectáveis. Ao mesmo tempo, não houve aumento proporcional em outras faixas de luz que pudesse indicar apenas um encobrimento por poeira. Esse detalhe foi decisivo para a conclusão de que a estrela desapareceu de fato, e não apenas ficou escondida.
Colapso sem explosão visível
Quando estrelas muito massivas chegam ao fim da vida, o núcleo entra em colapso e pode provocar uma poderosa explosão conhecida como supernova. Nesses casos, uma onda de choque lança as camadas externas para o espaço.
No entanto, os modelos também preveem um cenário diferente. Se essa onda não conseguir expulsar o material externo, a maior parte da estrutura estelar retorna ao núcleo em colapso. O resultado é a formação de um buraco negro e o desaparecimento abrupto da estrela.
No caso da M31 2014 DS1, os dados indicam que cerca de 98 por cento do material restante colapsou. Os pesquisadores estimam que o objeto resultante tenha massa equivalente a aproximadamente cinco sóis.
Durante cerca de mil dias, a radiação gerada pela queda de matéria no novo objeto manteve um nível relativamente estável antes de diminuir quase por completo. Não houve registro de uma explosão brilhante que pudesse ser classificada como supernova, o que reforça a interpretação de uma supernova falhada.
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Evidências reforçam hipótese de buraco negro
Os cientistas também compararam o evento a outro caso observado anteriormente em outra galáxia. Em ambos, o padrão de enfraquecimento sustentado e a ausência de explosão apontam para o mesmo desfecho.
O desvanecimento total da luminosidade indica que a produção de energia no interior da estrela cessou. Sem sinais de explosão visível e sem aumento expressivo de brilho em outras faixas de luz, a explicação mais consistente é o colapso direto.
A descoberta amplia a compreensão sobre o destino de estrelas massivas e mostra que nem todas terminam suas vidas com espetáculos luminosos. Em alguns casos, a estrela desapareceu de forma quase silenciosa, deixando para trás apenas um buraco negro recém formado e muitas perguntas sobre os limites desses processos no universo.