Gás no subsolo é a suspeita por trás de danos estruturais no Residencial Integração

Estudos preliminares apontam presença de gás metano no subsolo após rachaduras atingirem casas no bairro

, em Uberlandia

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O Residencial Integração, na zona Leste de Uberlândia, tem sido palco de uma investigação por parte da Prefeitura de Uberlândia motivada por relatos sobre movimentação de solo. Segundo o Município, estudos preliminares detectaram a presença de gás metano no subsolo do residencial, o que levou a abalos na superfície no final de fevereiro e, por consequência, danos à estrutura das residências.

 Os primeiros problemas foram relatados no final de fevereiro deste ano. Segundo moradores, oito casas de um lado da Rua Vinicios José da Silva foram atingidas por rachaduras e trincas. Entre elas, duas precisaram ser interditadas e as famílias realocadas a um albergue que, segundo as vítimas, não é de boa qualidade. Moradores contam que outras rachaduras estão aparecendo em casas na proximidade. 

Na madrugada do dia 22, eles relataram à TV Paranaíba que ouviram barulhos durante a madrugada e, ao verificar a estrutura das casas, encontraram danos. A Defesa Civil, juntamente com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), estiveram no Residêncial Integração e acompanharam as primeiras investigações do fenômeno.

“Nós fomos acionados pela população que está preocupada com essas trincas e rachaduras que apareceram tanto nas calçadas como no asfalto e no interior das residências”, contou Capitão Afonso, da Defesa Civil de Uberlândia. 

A equipe técnica do DMAE esteve no local por dias, desde os primeiros relatos. Em nota, o órgão informou que “foram iniciados os trabalhos de vistoria com o objetivo de identificar a origem das ocorrências registradas nos imóveis”.

Para Sâmela Donato, moradora de uma das casas interditadas, as medidas foram poucas e ineficientes. “Nenhuma providência foi tomada, só então o dia inteiro aqui, passa três dias não vem ninguém, depois vem e fica cavando um buraco. Depois ficam olhando de lá, de cá, mas o principal, que é arrumar um lugar pra gente ficar, pelo menos as pessoas das casas que foram interditadas, não estão fazendo”, disse em entrevista à TV Paranaíba.

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Estudos preliminares da Prefeitura no Residencial Integração

Segundo a Prefeitura de Uberlândia, a apuração técnica preliminar detectou a presença de concentração de gás metano no subsolo do Residencial Integração. Apesar da constatação, o Município aponta que, sob orientação da Defesa Civil do Estado e do Município e do Corpo de Bombeiros, não há risco de incidentes no local. 

As investigações detectaram o gás metano por meio de uma sondagem em seis perfurações na área, movimento realizado após o DMAE descartar anomalias na rede de esgoto local. Contudo, a Prefeitura aponta que não foi detectado a presença do gás nas residências vistoriadas.

Segundo Sâmela, a maneira com que as medições foram feitas é questionável. “Dentro da minha casa, mediram uma rachadura no chão que tem poucos centímetros. De onde que isso faz sentido? Eles têm total liberdade para entrar, cavar o buraco no mesmo diâmetro, eles têm liberdade para poder fazer isso, entendeu? Mas eles não fizeram”, questiona.

A suspeita do Município é que o gás detectado no residencial é resultado da decomposição de matéria orgânica ao longo do tempo, o que pode estar relacionado a movimentação do solo registrada no Residêncial Integração, e que se explica na possível existência de um lixão, no passado, na localidade. 

A Prefeitura ainda destaca que os estudos realizados até o momento não são conclusivos, e que continuarão a ser conduzidos com auxílio do DMAE, da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Infraestrutura, da Secretaria Municipal de Habitação e de especialistas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG). 

O gás metano do Residencial Integração ameaça a saúde dos moradores?

Victor Hugo Penna, químico ouvido pela TV Paranaíba, alerta que o gás metano é incolor, não tem cheiro e é altamente inflamável. “Ele se forma naturalmente devido à decomposição de matéria orgânica sem a presença de oxigênio, o que é comum em áreas que já foram utilizadas anteriormente como lixões. Ele pode se acumular no subsolo, causando uma pressão e movimentando o terreno, o que causa rachaduras em casas e edifícios”, explicou.

De acordo com o especialista, o gás metano não é tóxico, mas pode apresentar risco para a população do Residencial Integração ao ser acumulado em locais fechados.