Em emergência, Amazonas registra 1.380 focos de incêndio em dez dias e mobiliza 11 aeronaves
Estado teve alta de 271% nos focos de incêndio em relação ao mesmo período de 2025; 36 municípios estão em situação de emergência e 290 brigadistas atuam no combate às chamas
O avanço dos incêndios florestais tem colocado o Amazonas em alerta. Nos dez primeiros dias de outubro deste ano, o estado registrou 1.380 focos de incêndio, alta de 271% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 registros.
Diante do cenário, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para combater as chamas. Ao menos 36 municípios estão em situação de emergência, e a fumaça das queimadas compromete a qualidade do ar em Manaus, com riscos à saúde da população.
Os dados são do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, seis das 11 aeronaves disponibilizadas já haviam chegado ao estado ou estavam em operação. As equipes atuam em diferentes regiões para conter o avanço do fogo.
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Amazonas registra quase quatro vezes mais incêndios em outubro
O aumento dos focos de incêndio foi registrado entre 1º e 10 de outubro. No período, o Amazonas passou de 372 ocorrências, em 2025, para 1.380, em 2026.
De acordo com o Painel do Fogo, do Censipam, 1.186 registros ocorreram em áreas públicas e 93 em propriedades privadas. Outros 246 foram identificados em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Também houve 174 registros em áreas associadas ao desmatamento.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lábrea, no sul do estado, lidera o número de focos, com 225 registros. Na sequência aparecem Boca do Acre e Autazes.
Governo mobiliza 11 aeronaves e 290 brigadistas
O reforço federal inclui seis aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre as chamas; dois aviões cargueiros KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB); dois helicópteros para operações em áreas de difícil acesso; e uma aeronave Caravan, destinada ao apoio logístico.
Os KC-390 podem transportar até 12 mil litros de água por operação de combate a incêndios. A previsão divulgada para a atuação das aeronaves é de cerca de três missões diárias.
Os 290 brigadistas trabalham em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outros órgãos envolvidos na resposta aos incêndios.
Em balanço divulgado na segunda (12), o governo federal informou que o Ibama havia extinguido 282 incêndios no estado e continuava combatendo oito focos ativos. Os números podem variar conforme a atualização das operações.

Bombeiros do Amazonas dizem que pedido de ajuda foi negado
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmou que o governo federal negou um pedido de apoio para combater os incêndios florestais no estado. Em entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica, na sexta-feira (9), ele disse que a corporação havia solicitado o envio de aeronaves ainda em setembro, inclusive para atuar em áreas sob responsabilidade federal.
“ Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo mais uma vez: o estado do Amazonas precisa somar esforços com o Governo Federal para fazer um enfrentamento qualificado”, declarou o comandante.
Ministros sobrevoam áreas atingidas e apontam ação humana
No domingo (11), os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, sobrevoaram áreas atingidas pelo fogo e acompanharam as ações de resposta em Manaus, incluindo uma visita ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Capobianco afirmou que o cenário encontrado era mais grave do que esperava e apontou indícios de ação humana na origem dos incêndios. Segundo o ministro, há áreas preservadas e de difícil acesso atingidas pelas chamas.
“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos”, declarou.
O ministro também destacou os resultados das ações de prevenção ao desmatamento. Segundo ele, a redução no Amazonas chegou a 75,8%, acima da média registrada na Amazônia Legal no período citado.
O governo federal também informou a destinação de recursos para apoiar o combate aos incêndios. Entre os valores anunciados estão mais de R$ 34 milhões para o Corpo de Bombeiros do Amazonas e mais de R$ 45 milhões destinados ao estado para ações relacionadas à emergência, conforme os anúncios oficiais.
Fumaça prejudica a qualidade do ar em Manaus
A fumaça das queimadas também afeta a capital amazonense. Manaus amanheceu coberta por fumaça nesta segunda-feira (12), após vários dias consecutivos de poluição atmosférica elevada.
Monitoramentos citados pelas autoridades apontaram qualidade do ar péssima em diferentes bairros. Embora a capital tenha registrado poucos focos de incêndio, parte da fumaça vem de queimadas em outros municípios, como Autazes e Itacoatiara.
Mais um dia com Manaus coberta de fumaça. https://t.co/l08oytGJWR
— vic (@torijanv) October 12, 2026
Na sexta-feira (9), a Defesa Civil alertou para os riscos à saúde e recomendou o uso de máscaras, especialmente por crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias. A Prefeitura de Manaus também suspendeu as aulas da rede municipal.
A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar problemas respiratórios preexistentes. A orientação é reduzir atividades físicas ao ar livre durante períodos de maior concentração de fumaça e seguir as recomendações das autoridades sanitárias.
36 municípios estão em situação de emergência
O governo federal reconheceu a situação de emergência em 36 municípios do Amazonas no sábado (10), após decreto estadual. O reconhecimento facilita o acesso a recursos federais para enfrentar os efeitos da estiagem e dos incêndios.
Waldez Góes explicou que a seca e os incêndios florestais têm enquadramentos distintos, embora a estiagem contribua para agravar as condições de propagação das chamas.
Além das equipes federais e estaduais, São Paulo enviou uma missão com 30 profissionais ao estado: 25 bombeiros e cinco integrantes da Defesa Civil. O grupo atua no combate ao fogo e na contenção de sua propagação.
O governo federal também anunciou o envio de integrantes da Força Nacional a partir de 20 de outubro para reforçar as ações no estado.
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