Chuvas torrenciais, secas devastadoras: El Niño e La Niña ameaçam o clima no Brasil
O aquecimento das águas do oceano Pacífico durante um evento de El Niño pode ter consequências significativas no clima em regiões nacionais
Desastres ambientais que ocorriam raramente vêm sendo notados cada vez mais e de formas trágicas, chamando a atenção para as mudanças climáticas, que estão se intensificando pelo globo.
El Niño e La Niña têm aparecido em manchetes como responsáveis por diversos desastres. São fenômenos naturais que influenciam os padrões de chuvas tropicais e a circulação atmosférica.
Essas alterações climáticas podem impactar a frequência e a intensidade dos eventos naturais, potencializando-os de forma a se tornarem problemas, como secas prolongadas ou enchentes.
Mas, qual é a relação desses problemas com o El Niño e La Niña? Vamos explicar o que são e como acabam afetando o clima brasileiro.
Ocorrência dos fenômenos climáticos não é certa, pode ocorrer a cada 2 ou até mesmo 7 anos.

Impactos climáticos no Brasil
O aquecimento das águas do oceano Pacífico durante um evento de El Niño pode ter consequências significativas no clima em regiões nacionais e até mundiais.
No Brasil, ocorre a diminuição das chuvas na região norte, secas em partes do Nordeste e chuvas acima da média e aumento de temperatura na região sul.
Sua influência é mais marcante durante o verão e outono (de dezembro a maio) no Centro-Sul do país. Nas regiões Norte e Nordeste, os efeitos podem ser sentidos ao longo de todo o ano, com maior intensidade no verão.
Durante La Niña, os impactos climáticos são opostos aos do El Niño. Há um aumento de chuvas nas regiões norte e nordeste, e climas áridos no centro-oeste e no sul.
Geralmente, traz seus impactos mais fortes no inverno e primavera (de junho a novembro) no Centro-Sul. No Norte e Nordeste, a influência pode se estender por todo o ano, com maior intensidade no outono.
A intensidade e os padrões dos eventos podem variar de ano para ano, conforme a irregularidade da ocorrência desses eventos. Porém, o El Niño vem ocorrendo com mais frequência devido às elevações das temperaturas nos últimos anos.
Essas mudanças climáticas podem afetar a agricultura, a pesca, a disponibilidade de água e outros aspectos da vida humana e natural.

A temperatura das águas e o El Niño e La Niña
El Niño e La Niña são fenômenos climáticos que envolvem alterações na temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico Equatorial.
O El Niño é responsável pela variação de aquecimento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico, elevando a temperatura em cerca de 0,5 °C ou mais em relação à média.
- Geralmente, esse aquecimento ocorre devido ao enfraquecimento da circulação dos ventos de leste para o oeste, que vêm das regiões subtropicais para as equatoriais.
- Dessa forma, a circulação das águas diminui, resultando em um aquecimento anômalo da superfície do mar na região.
- Com o aquecimento, há uma intensa evaporação e formação de nuvens de chuva, alterando os padrões de chuvas e temperaturas.
O La Niña, por sua vez, se caracteriza pelo resfriamento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico, atingindo uma temperatura igual ou menor do que 0,5 °C abaixo da média.
- Durante o La Niña, a circulação dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste, retoma sua normalidade ou se intensifica além do habitual, empurrando as águas quentes da superfície
- As águas frias do fundo do mar ressurgem para a superfície
- Com o resfriamento, a intensidade de evaporação e formação de nuvens de chuva diminuem e ocorre novamente uma alteração no padrão climático
Resumidamente, quando a temperatura aumenta em 0,5 °C ou mais acima da média, temos o El Niño. Se a temperatura diminui, ocorre La Niña. Quando há uma alteração nas temperaturas dentro desse intervalo de 0,5 °C acima ou abaixo, temos uma condição de neutralidade.
Ambos os fenômenos ocorrem em intervalos irregulares, variando de 2 a 7 anos, e podem durar meses.