Abalos sísmicos em Minas foram registrados em diferentes regiões neste ano
Registros recentes de abalos sísmicos em Minas Gerais chamam atenção para a frequência de tremores; Frutal é a cidade mineira com mais registros em 2025
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Os abalos sísmicos em Minas Gerais têm se tornado frequentes nos registros oficiais e voltaram a ganhar destaque após um tremor de magnitude 3,9 ser sentido por moradores de Araxá, no Alto Paranaíba, na noite de sexta-feira (12).
O evento, classificado como de baixa a moderada intensidade pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), também foi percebido em cidades vizinhas como Ibiá, Pratinha, Perdizes, Santa Juliana e Sacramento, com mais de 50 relatos enviados por moradores ao sistema “Sentiu aí?”.

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O caso de Araxá se soma a uma série de abalos sísmicos em Minas Gerais registrados ao longo dos últimos meses, especialmente em agosto, quando o estado contabilizou pelo menos seis ocorrências confirmadas por instituições oficiais.
Os eventos, embora de baixa magnitude, foram distribuídos por diferentes regiões mineiras, reforçando o histórico de atividade sísmica natural no território.
Atualização da CBMM
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) informou por meio de nota que, após o registro do tremor de terra em Araxá, suas operações não sofreram nenhum impacto. Todas as barragens permaneceram em condições estáveis, com fatores de segurança acima dos recomendados pelas normas técnicas e exigidos pela legislação vigente.
Além do monitoramento contínuo, realizado 24 horas por dia, a equipe técnica faz inspeções nas estruturas, não sendo identificada qualquer alteração em suas condições de segurança.
Outros registros
Entre os municípios que registraram tremores recentemente está Frutal, no Triângulo Mineiro. Na cidade, um abalo de magnitude 2,3 mR foi identificado pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da USP.
O tremor ocorreu no dia 23 de agosto e não chegou a ser sentido pela população. Ainda assim, Frutal chama atenção pela recorrência: somente em 2025, já foram sete tremores registrados no município, com magnitudes variando entre 1,9 e 2,6.
Além de Frutal, outros municípios mineiros também entraram no mapa dos abalos sísmicos em Minas Gerais neste período. Planura, Araçuaí, Sete Lagoas e Pirajuba tiveram registros confirmados, todos considerados de baixa intensidade. Em Sete Lagoas, por exemplo, dois tremores ocorreram em dias consecutivos, com magnitudes de 1,9 e 2,5 mR, sem danos estruturais.
Em outro fim de semana, dois novos eventos foram registrados no estado. Um deles ocorreu em Planura, em outubro, com magnitude de 2,8 mR. O outro foi identificado em Juiz de Fora, na Zona da Mata, com magnitude de 1,7 mR.
Apesar de leve, o tremor em Juiz de Fora gerou relatos de estrondos e pequenas vibrações, o que levou moradores a acionarem o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil. Após vistorias, não foram constatados danos em imóveis.
Como se explica os tremores
Especialistas explicam que os abalos sísmicos em Minas Gerais não estão relacionados ao encontro de placas tectônicas, como ocorre em grandes terremotos ao redor do mundo. Segundo o Centro de Sismologia da USP, os tremores registrados no estado são provocados por acomodações naturais em falhas geológicas existentes no interior da crosta terrestre.
“O que ocorre em Minas Gerais são acomodações de falhas geológicas. São processos naturais, que acontecem com certa frequência, mas, em geral, não oferecem risco à população”, aponta nota técnica divulgada pelo órgão.
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De acordo com o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, Minas Gerais é o estado que mais registra tremores no Brasil. Ele explica que essas ocorrências estão associadas às grandes pressões geológicas que atuam na crosta terrestre e que, na maioria das vezes, resultam apenas em pequenos abalos perceptíveis.
Embora raramente causem danos, esses eventos são considerados importantes para a ciência. O monitoramento dos abalos sísmicos em Minas Gerais contribui para o entendimento do comportamento do solo, o mapeamento de falhas geológicas e o aprimoramento dos sistemas de vigilância sísmica no país.