Serial killer do DF é solto; juíza diz que “não há necessidade da internação”
Condenado por matar mulheres e crianças no Novo Gama e no Gama, o serial killer Adaylton Neiva deixou a internação psiquiátrica por decisão da Justiça do DF
O serial killer Adaylton Nascimento Neiva, de 47 anos, foi solto por determinação da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal. Condenado por uma série de homicídios qualificados, estupros e aborto provocado, ele matou a golpes e asfixia mulheres e uma criança no Novo Gama (GO) e no Gama (DF), entre elas a ex-companheira Elenice Geralda Lucas, de 19 anos, grávida de cinco meses, e a filha dela, Luciene Lucas de Caldas, de apenas 5 anos, mortas juntas em março de 2000.

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Conhecido como Maníaco do Novo Gama, ele estava internado desde 2011 na Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP) da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia, e, a partir desta terça-feira (30/6), cumprirá desinternação condicional em regime ambulatorial.
Quem é o serial killer do Novo Gama
Adaylton aterrorizou moradores do Distrito Federal e do entorno goiano no início dos anos 2000. Ele confessou nove homicídios, sendo cinco no Novo Gama, três em Sobradinho e um em Santa Maria, mas as investigações reuniram provas suficientes para condená-lo apenas por três casos. A pena final somou 54 anos e seis meses de reclusão.
Crimes cometidos pelo serial killer solto pela Justiça
Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a legislação sobre saúde mental, que embasou parte da decisão judicial, casos como o de Adaylton exigem acompanhamento técnico permanente. De acordo com o Jornal de Brasília, a série de crimes começou em março de 2000, quando ele matou a ex-companheira, Elenice Geralda Lucas, de 19 anos, grávida de cinco meses, e a filha dela, Luciene Lucas de Caldas, de apenas 5 anos. Elenice havia fugido de casa meses antes por causa da violência do então marido.
No dia do crime, Adaylton golpeou a mulher três vezes na cabeça com um pedaço de madeira. A menina, que saía do banho, tentou correr, mas foi imobilizada e asfixiada com uma sacola de supermercado. Os dois corpos foram enterrados numa cova rasa no quintal da casa e só localizados dez dias depois.
Preso por 210 dias, o criminoso foi solto naquela época por demora no julgamento em Goiás. Já em liberdade, estuprou três mulheres no Gama, em fevereiro de 2001, e recebeu pena de nove anos e seis meses. Ficou detido na Papuda até setembro de 2009, quando obteve progressão para o regime semiaberto.
Meses depois, fugiu e voltou a atacar: matou a dona de casa Evanilde dos Santos Ribeiro, de 41 anos, e, em dezembro de 2009, esganou a adolescente Alessandra Alves Rodrigues, de 14 anos, num matagal do Novo Gama. Capturado em julho de 2010 no Piauí, onde vivia com uma nova companheira, o serial killer passou a cumprir medida de segurança em razão de distúrbio neuropsiquiátrico superveniente.
O histórico completo de crimes do maníaco inclui ainda outras tentativas registradas em Sobradinho e Santa Maria, regiões que reforçaram a fama de violência do condenado ao longo dos anos 2000.
Como a Justiça decidiu soltar o serial killer
A juíza da Vara de Execuções Penais destacou que o tempo de privação de liberdade de Adaylton, somando prisão preventiva, cumprimento de pena e internação psiquiátrica, já ultrapassa 25 anos. Relatório da UBS 16 do Gama, unidade que atua dentro da ATP, apontou que o quadro clínico do paciente está estabilizado e que o estado de saúde mental atual não justifica a continuidade da internação.
A Seção Psicossocial da Vara também informou haver suporte familiar para recebê-lo, além de indicar o CAPS AD II do Itapoã como referência para o tratamento ambulatorial.
Laudo psiquiátrico do Instituto Médico Legal reconheceu a complexidade do caso, mas admitiu a possibilidade de desinternação, desde que respeitadas condições específicas de acompanhamento. Para a magistrada, a ausência de indicação médica taxativa pela manutenção da internação tornou necessária a adequação da medida, com base na Lei 10.216/2001 e na Resolução 487/2023 do Conselho Nacional de Justiça.
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Condições para o serial killer solto permanecer em liberdade
A desinternação condicional foi concedida pelo prazo mínimo de um ano, com vigilância ininterrupta de familiares e acompanhamento da Seção Psicossocial da Vara de Execuções Penais. Entre as exigências estão a apresentação mensal de relatórios médicos, a proibição de consumir álcool ou drogas ilícitas, a proibição de frequentar bares e casas de jogos, a vedação ao porte de armas e o recolhimento à residência até as 22 horas, salvo por motivo de trabalho ou estudo.
O serial killer também está proibido de deixar o Distrito Federal sem autorização judicial e deverá manter tratamento médico e psicológico contínuo, sob risco de nova avaliação em caso de descumprimento.