Secretária de Saúde é exonerada após morte de idoso em João Pinheiro
Saída ocorre no mesmo dia em que vereadores avançam com investigação sobre morte de paciente por falha cirúrgica no hospital municipal
A Secretária Municipal de Saúde de João Pinheiro, Cássia Maria, foi exonerada do cargo em meio ao avanço da Câmara Municipal com a abertura de uma CPI para investigar a morte de Manuel Cardoso de Brito, de 68 anos, atendido no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. A exoneração foi oficializada por meio da Portaria nº 09/2025. O idoso morreu na véspera de Natal, após complicações decorrentes de uma cirurgia em que, segundo denúncias, um instrumento cirúrgico foi encontrado em seu corpo.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Secretária de Saúde é exonerada
Em nota, a ex secretária Cássia Maria Alves Trajano, alegou que a sua exoneração foi a pedido e negou ter qualquer relação com a CPI.
A Prefeitura de João Pinheiro e o Hospital Municipal confirmaram a retirada do “corpo estranho”, mas apresentaram uma linha de defesa focada no estado de saúde prévio do paciente. Segundo a instituição, Manuel Cardoso já apresentava um quadro de infecção severa, idade avançada e comorbidades que teriam contribuído decisivamente para o óbito, independentemente do erro ocorrido,
“Ressalta-se que o paciente apresentava estado clínico extremamente debilitado, idade avançada e histórico de comorbidades relevantes, condições que contribuíram de forma significativa para a evolução do quadro.” diz a nota.
A gestão municipal reforçou que notificou a Anvisa e abriu uma sindicância interna para apurar o caso com rigor, garantindo transparência no processo.
Caso do idoso Manuel Cardoso
O foco central das investigações é a morte de Manuel Cardoso de Brito, de 68 anos. Internado no dia 5 de dezembro de 2025, para tratar uma ulcera. O paciente passou por uma cirurgia de emergência e, dias depois, por uma segunda intervenção.
Familiares alegam que um instrumento cirúrgico teria sido esquecido no corpo do paciente, o que teria levado à nova cirurgia. Ele permaneceu 13 dias internado e não resistiu.

Na certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como choque séptico e úlcera gástrica perfurada, versão contestada pela família e pelo advogado Iuri Evangelista Furtado, que defendem a apuração de possível erro médico.
O que a CPI pretende esclarecer
De acordo com o requerimento que cria a CPI, assinado por todos os vereadores, a comissão vai:
- Investigar o atendimento prestado ao paciente no hospital municipal;
- Avaliar a regularidade de procedimentos médicos e administrativos;
- Identificar possíveis falhas ou omissões;
- Apurar responsabilidades administrativas, sem excluir as esferas civil e penal;
- Propor medidas para melhorar a segurança dos pacientes e os serviços de saúde.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da morte, registrada em 30 de dezembro, e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações.