Operação mais letal do Rio terá perícia da PF em 90 dias
Decisão de Alexandre de Moraes estabelece prazo para análise de imagens da operação com mais de 120 mortos e exige indicação de trechos relevantes para acelerar investigação
A operação mais letal do Rio volta ao centro das atenções após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu prazo de 90 dias para a Polícia Federal realizar a perícia nas imagens registradas por câmeras corporais de policiais. A medida foi tomada nesta quarta-feira (29) e integra o processo que discute a atuação das forças de segurança em comunidades do estado.

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A operação mais letal do Rio ocorreu em outubro do ano passado e teve como alvo o Comando Vermelho. A ação terminou com mais de 120 mortos, incluindo cinco policiais, e se tornou uma das mais emblemáticas já registradas no estado pela magnitude e pelo número de vítimas.
Segundo a decisão, o prazo para análise só começará a contar a partir do momento em que a Polícia Federal receber todas as imagens em mídias físicas. A determinação atende a um pedido da própria corporação, que relatou dificuldades para acessar os arquivos digitais enviados inicialmente, o que inviabilizou a abertura e verificação do material.
Perícia da operação mais letal do Rio deve ser acelerada
Para dar celeridade à investigação da operação mais letal do Rio, Moraes determinou que o governo do estado e o Ministério Público do Rio de Janeiro indiquem, em até dez dias, os trechos mais relevantes entre as cerca de 4.500 horas de gravação produzidas pela Polícia Militar. A intenção é permitir que os peritos concentrem esforços nos momentos considerados essenciais para a apuração dos fatos.
A Polícia Federal também havia solicitado essa delimitação prévia como forma de tornar o trabalho mais objetivo. Com a autorização, a expectativa é que a análise avance de maneira mais eficiente, diante do grande volume de material disponível.
Laudos e acesso a informações ampliam investigação
Além da perícia nas imagens, o ministro autorizou que o Ministério Público tenha acesso aos laudos necroscópicos das vítimas da operação. A medida amplia o conjunto de informações disponíveis para investigação e pode contribuir para esclarecer as circunstâncias das mortes.
A decisão faz parte da chamada ADPF das Favelas, ação em que o Supremo Tribunal Federal já determinou uma série de medidas para reduzir a letalidade em operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. O processo segue em andamento e continua sendo um dos principais instrumentos de debate sobre segurança pública e direitos fundamentais no estado.