Oito meses após tragédia, amigos de Bruna Stefanny pedem Justiça

Motociclista aguardava em um semáforo na avenida Anselmo Alves dos Santos quando foi atropelada e arrastada, em abril deste ano; motorista está preso

, em Uberlândia

Oito meses após a morte da estudante de odontologia Bruna Stefanny Moreira Lemos, 28 anos, amigos ainda tentam lidar com a dor e aguardam uma resposta definitiva da Justiça. A vítima morreu em 18 abril deste ano na avenida Anselmo Alves dos Santos, no bairro Santa Mônica, em Uberlândia, após ser atropelada e arrastada por vários metros por um motorista embriagado e inabilitado. A moto em que dirigia foi atingida quando aguardava a abertura do semáforo em frente à Prefeitura.

Bruna Stefanny trafegava de motocicleta pela avenida quando foi atingida na traseira por um Sienna Branco. Inicialmente, a Polícia Militar (PM) informou que ela teria sido arrastada por cerca de 150 metros, mas as investigações concluíram posteriormente que a distância foi de aproximadamente 480 metros. O corpo da jovem ficou preso na parte inferior do veículo e só parou após o carro não conseguir mais se deslocar.

Morte de Bruna Stefanny - motorista atropelou a arrastou vítima pela Anselmo
Bruna Stefanny havia completado 28 anos na véspera do acidente, que ocorreu em abril deste ano – Crédito: Redes sociais/Reprodução

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O motorista que matou Bruna Stefanny deve ir a júri popular. A data do júri, no entanto, ainda não foi decidida. Ele está preso desde o dia do acidente.

Em entrevista ao Cidade Alerta, amigos falaram sobre como era Bruna Stefanny e pediram por justiça. “A Bruna era uma pessoa que não tinha problema com ninguém. Literalmente uma pessoa ‘pau para toda obra’. Você chamava ela para fazer qualquer coisa, e ela sempre estava disposta”, disse a cabeleireira Vitória Gomes, amiga de Bruna.

As duas tiveram 21 anos de convivência, uma amizade que nasceu ainda nos tempos de escola. Vitória Gomes conta que Bruna era uma amiga muito próxima, como uma alma gêmea. “Eu espero de verdade que a Justiça seja feita, quantas pessoas vão ter que morrer para que sejam tomada atitude? A partir do momento que a pessoa ingere bebida alcoólica e pega o volante, ele já está assumindo o risco, não só da vida de outra pessoa, mas a própria vida. E eu de verdade espero que ele pague pelo que fez”.

O advogado e amigo de Bruna, Diego Marques, têm acompanhado os trabalhos jurídicos no caso da amiga desde o início. “Ele vai permanecer preso até o julgamento, do qual eu espero que ele receba a pena máxima. […] O Judiciário trabalhou muito bem, o Ministério Público foi firme. Agente critica a Justiça e o MP, mas nesse caso eles estão sendo muito firmes e mantiveram ele preso. Acredito que tudo vai fluir para uma condenação”, disse em entrevista.

A família de Bruna preferiu não participar da reportagem.

Como foi o acidente que causou a morte de Bruna Stefanny

Equipes do Corpo de Bombeiros relataram que, ao chegarem ao local, a vítima estava presa próxima à roda esquerda do automóvel. Foi necessário estabilizar e elevar o veículo para a retirada do corpo. Após o resgate, foi constatada parada cardiorrespiratória, sem possibilidade de reversão. A morte foi confirmada ainda no local devido às múltiplas fraturas.

Dentro do carro envolvido no acidente, uma lata de cerveja foi encontrada. Imagens gravadas por populares mostram o motorista tentando deixar o local com dificuldades para caminhar, sendo contido por testemunhas. Ele se recusou a realizar o teste do bafômetro, mas acabou preso em flagrante diante do comportamento suspeito e das circunstâncias do acidente. O condutor permanece preso desde o dia da ocorrência, por decisão do Tribunal de Justiça.

Bruna Stefanny havia completado 28 anos poucos dias antes do acidente e se preparava para comemorar o aniversário com amigos e familiares no fim de semana seguinte. Horas antes da tragédia, ela esteve com pessoas próximas, em momentos descritos como de descontração e alegria.

Amigos relatam que, na noite anterior, a jovem se encontrou com conhecidos e planejava, para o dia seguinte, almoçar com um amigo e comprar o bolo para a comemoração em família. Pela manhã, ela faria uma entrega de moto antes do compromisso. Bruna, no entanto, nunca chegou ao local combinado.

A notícia da morte só foi descoberta por amigos e familiares no dia seguinte, por meio das redes sociais. O velório ocorreu no mesmo dia em que seria celebrada a festa de aniversário da vítima.

Quem era Bruna Stefanny

Descrita por amigos como determinada, alegre e sempre disposta a ajudar, Bruna Stefanny era formada em Direito, pós-graduada e especializada em direito do trabalho e previdenciário. Ela aguardava a próxima prova da OAB para exercer a profissão.

Além de atuar em escritórios jurídicos, Bruna também realizava entregas como motoboy por meio de aplicativos. No ano anterior à morte, havia iniciado um novo projeto de vida, foi aprovada no vestibular de Odontologia e cursava o terceiro período, com planos de mudar de área após a conclusão da faculdade.

Nas redes sociais, a jovem de 28 anos fazia tinha um perfil em que fazia trabalhos de design gráfico. Também informou que era bacharel em Direito. A mulher foi velada na Funerária Paz Universal, em Uberlândia, no dia 18 de abril, e sepultada no Cemitério Municipal de Cruzeiro da Fortaleza, no Alto Paranaíba.

Morte de Bruna Stefany
Bruna Stefanny estudava Odontologia e completou 28 anos no dia anterior ao acidente – Crédito: Redes Sociais/Reprodução