Mulher acusada de matar cinco filhos com sedação e asfixia é extraditada para Minas

Investigada por matar cinco filhos, de 10 meses a 3 anos, em Timóteo, Gisele Oliveira pode enfrentar penas que, somadas, ultrapassam 150 anos de prisão

, em Uberlândia

A mineira Gisele Oliveira, 40 anos, desembarcou na quinta-feira (23) no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, após ser extraditada de Portugal. Acusada de matar cinco filhos, com idades entre 10 meses e 3 anos, ela foi escoltada pela Polícia Federal, que conduziu o processo de extradição em cooperação com autoridades portuguesas.

Mulher acusada de matar cinco filhos
Mulher acusada de matar os filhos, com idade entre 10 meses e 3 anos, é detida e extraditada de Portugal – Crédito: R7/Reprodução

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A mulher, natural de Ipatinga, no Vale do Aço, foi presa em Coimbra, onde vivia de forma irregular. O nome de Gisele Oliveira constava na lista de Difusão Vermelha da Interpol, utilizada para localizar fugitivos internacionais.

Após exame de corpo de delito, ela foi encaminhada ao Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, onde ficará à disposição da Justiça.

Crimes investigados há mais de uma década

As mortes investigadas ocorreram entre 2008 e 2023 e foram registradas na cidade de Timóteo, no Vale do Aço. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, Gisele Oliveira teria dopado e asfixiado cinco dos sete filhos biológicos. Em muitos casos, as mortes foram inicialmente tratadas como causas naturais, o que retardou as investigações.

De acordo com o histórico levantado pela polícia:

  • 2010 – Morte de Kauan (10 meses) e João Vítor (2 anos);

  • 2019 – Mortes de Ana Júlia e Kaique (ambos com 1 ano);

  • 2023 – Morte do caçula, Tiago, com 1 ano.

As investigações ganharam força após o último caso, quando médicos e familiares levantaram suspeitas sobre o histórico de mortes anteriores. A avó das crianças, mãe da acusada, relatou que Gisele costumava medicar os filhos com sedativos fortes sem necessidade médica.

Tentativa de homicídio e fuga para Portugal

Em 2022, Gisele também teria tentado matar o marido da mesma forma, administrando substâncias que o levaram ao hospital. Ele sobreviveu, mas o caso não foi investigado na época.

Quando soube que era investigada pela morte do filho mais novo, a mulher fugiu para Portugal com o atual companheiro e outro filho, que não faz parte da lista de vítimas. Mesmo no exterior, segundo a Polícia Federal, ela intimidava familiares e testemunhas, o que motivou o mandado de prisão preventiva expedido pela Vara Criminal e da Infância e Juventude de Timóteo.

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A prisão em Portugal foi resultado de uma cooperação entre a Polícia Civil mineira, a Polícia Portuguesa e o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal. Ela permaneceu presa até a autorização de extradição.

Com a chegada ao Brasil, a mulher deve ser ouvida novamente pela Justiça de Timóteo nos próximos dias. Caso condenada, pode enfrentar penas que, somadas, ultrapassam 150 anos de prisão, embora o cumprimento máximo permitido pela lei brasileira seja de 30 anos. A Defesa da acusada ainda não se manifestou publicamente.