Justiça Eleitoral vira arena de Lula e Flávio no segundo turno
Campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula protocolaram 38 ações no TSE em cerca de 25 horas, e a Justiça eleitoral decide o ritmo do segundo turno da disputa.
A Justiça Eleitoral entrou de vez no centro da corrida presidencial. Da madrugada de domingo (11) à madrugada de segunda (12), as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levaram 38 ações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na prática, houve mais de um processo novo por hora no segundo turno, e os temas vão de propaganda a ataques nas redes e impulsionamento de conteúdo.

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Justiça Eleitoral recebe 24 ações da campanha de Flávio
Segundo o R7, a maior parte do volume vem do lado do senador, autor de 24 das 38 ações. Só entre a meia-noite e 1h30 de segunda, a equipe dele registrou 11 delas.
Os alvos são o presidente Lula e uma lista de aliados: o deputado André Janones (Rede), os petistas Fernando Haddad, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann, Camilo Santana e Jerônimo Rodrigues, além da deputada estadual catarinense Carolline Sardá (PSOL). Flávio contesta publicações em redes sociais, conteúdos impulsionados e inserções na televisão, e também pede direitos de resposta. Nos últimos dias, ele obteve decisões favoráveis que tiraram do ar peças do horário eleitoral e postagens.
Campanha de Lula leva à Justiça Eleitoral 14 pedidos
A Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa a chapa de Lula, respondeu pelas outras 14 ações. Onze delas miram Flávio e o PL. As três restantes atingem o coach Pablo Marçal, que entrou há pouco na campanha do senador, a coordenadora da agenda econômica de Flávio, Daniella Marques, o senador Rogério Marinho (PL) e a candidata do partido ao governo do Amazonas, Maria do Carmo.
Nove desses processos foram apresentados depois da polêmica envolvendo um canal de apoiadores no WhatsApp. Ao falar sobre o episódio, Lula anunciou que sua campanha recorreria ao TSE para “equilibrar esse jogo”.
Veja análise das campanhas: Batalha digital é a tônica do segundo turno entre Flávio e Lula
Nunes Marques marca reunião com as duas campanhas
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, agendou para esta terça-feira (13) uma reunião com representantes das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro ocorre justamente em meio ao aumento das disputas judiciais entre os dois candidatos à Presidência da República.
A RECORD apurou que a reunião estava prevista desde a semana passada e não foi convocada em resposta ao aumento das ações apresentadas pelas campanhas nos últimos dias. Ainda assim, a expectativa é que os representantes aproveitem a ocasião para discutir o cenário de confronto jurídico.
A reunião acontece enquanto a Justiça Eleitoral analisa diferentes questões relacionadas às campanhas, principalmente a divulgação de conteúdos nas redes sociais.
Justiça Eleitoral e o canal Exército do Lula
O canal Exército do Lula, criado por Janones para divulgar mensagens de apoio ao candidato, tem mais de 3,7 milhões de seguidores e se tornou o ponto mais sensível da semana. No domingo, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do grupo. Poucas horas depois, o corregedor do tribunal, ministro Ricardo Villas Bôas Cuêva, decidiu no sentido contrário e mandou reativá-lo.
Foi sobre esse episódio que Lula falou ao chegar a um ato na Avenida Paulista, em São Paulo. Ele disse estar desconfiado do comportamento da Corte Eleitoral e afirmou que, há alguns dias, percebe decisões tendenciosas contra a candidatura dele. Também declarou que não aceitará “intromissão indevida” da Justiça Eleitoral no pleito.
O que a análise técnica encontrou
Depois das decisões conflitantes, Nunes Marques pediu uma avaliação ao setor do TSE que combate a desinformação. Os técnicos analisaram textos e vídeos publicados no canal entre 2 e 11 de outubro de 2026 e não localizaram conteúdos iguais ou equivalentes às afirmações examinadas no processo. Ou seja, o relatório não identificou publicações falsas.
O documento, porém, traz ressalvas sobre o material ligado a Janones. A perícia observou uma atuação coordenada na disseminação das mensagens e o uso recorrente de linguagem polarizadora, com tendência a criar uma lógica de confronto.
A disputa em torno do canal na Justiça eleitoral já existia antes da decisão de Nunes Marques. A campanha de Flávio havia pedido a cassação do mandato de Janones e a suspensão do grupo. No sábado (10), Cuêva, relator do caso, solicitou ao candidato informações complementares, mas não suspendeu o canal. Ao autorizar o retorno do grupo, no domingo, o corregedor registrou que o pedido da campanha de Flávio para derrubar essa decisão chegou à presidência do TSE em apenas 41 minutos.
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