Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo; saiba as denúncias que envolvem o dirigente

Após denúncias envolvendo gestão, venda irregular de camarotes e suspeitas financeiras, Julio Casares deixa a presidência do São Paulo

, em Uberlândia

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“Minha renúncia não representa uma confissão”, disse o então presidente afastado do São Paulo, Julio Casares,  ao anunciar sua renúncia, nesta quarta-feira (21). O pronunciamento veio após o seu afastamento pelo Conselho Deliberativo do clube, na última sexta-feira (16), e em meio a denúncias que vão de más decisões administrativas do clube à suspeitas de desvios de recursos e depósitos suspeitos. 

Julio Casares
– Crédito: Reprodição/R7

Casares assumiu a presidência do São Paulo em 2021, e conquistou três títulos com o clube: Campeonato Paulista de 2021, Copa do Brasil de 2023, e a Supercopa do Brasil de 2024. Neste mesmo período, a dívida do clube subiu de R$635 milhões, em 2021, e a projeção é de que tenha atingido R$1,1 bilhão no início deste ano.

“Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo”, disse Casares em sua carta de renúncia.

O período turbulento a que o cartola se refere, condiz com o surgimento das primeiras acusações relacionadas a sua pessoa e à sua família. O fim do comando passa pelo impeachment sofrido, na última semana, e também é marcado por um mandato de busca e apreensão cumprido, na manhã desta quarta-feira (21), nas casas de dirigentes do São Paulo, incluindo sua ex-esposa, Mara Casares.

Relembre as denúncias que envolvem Julio Casares

Ministério Público: Vendas ilegais de ingressos e uso irregular de camarotes no Morumbi

Em dezembro de 2025, áudios divulgados pelo portal ge.com revelaram indícios de um esquema ilegal de venda de camarotes no estádio do Morumbis durante grandes eventos, como o show da cantora Shakira.

As gravações sugerem a participação de Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto das categorias de base do São Paulo, e de Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do clube, que teriam admitido favorecimentos e ganhos pessoais com a negociação irregular dos espaços VIP.

Após a repercussão do caso, ambos solicitaram afastamento de suas funções. O Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de inquérito para apurar as denúncias, enquanto o clube instaurou duas sindicâncias paralelas, uma interna e outra externa, esta última com acompanhamento de auditoria independente.

Uso ilegal de carros

A relação entre o São Paulo Futebol Clube e a concessionária Osten Group voltou ao centro das atenções após a divulgação da gravação completa de uma ligação telefônica de 44 minutos envolvendo a intermediária Rita de Cassia Adriana Prado e os dirigentes Douglas Schwartzmann e Mara Casares. O conteúdo do áudio trouxe novos detalhes sobre as tratativas entre as partes.

De acordo com trechos obtidos pelo Portal UOL, Rita teria pressionado representantes do clube para receber um veículo como parte do acordo, que previa a cessão de um camarote no Morumbis em troca da disponibilização de carros para uso profissional de diretores do São Paulo.

Polícia civil: suspeita de desvios de recursos

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar suspeitas de desvio de recursos em negociações envolvendo jogadores do São Paulo. As investigações indicam que dirigentes do clube teriam sido beneficiados de forma irregular, recebendo valores indevidos após a transferência de atletas.

O caso vem sendo investigado há meses e envolve dirigentes tricolores e empresários apontados como possíveis participantes do esquema. A Justiça já autorizou a quebra de sigilos bancários de alguns investigados, incluindo um agente de grande projeção no cenário internacional. As apurações iniciais também sugerem que os recursos desviados podem ter transitado não apenas pelas contas dos suspeitos, mas também por pessoas próximas a eles.

Saques de contas do São Paulo e depositos  fracionados na conta de Casares

Relatórios financeiros obtidos pelo UOL indicam que Julio Casares recebeu aproximadamente R$1,5 milhão em depósitos em dinheiro diretamente em sua conta bancária entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já exercia a presidência do São Paulo. As movimentações chamaram atenção pelo volume e pela forma como foram realizadas.

Os valores teriam sido depositados de maneira fracionada e em quantias menores, prática conhecida como smurfing, usada para driblar mecanismos automáticos de controle financeiro. De acordo com o levantamento, o total corresponde a quase metade da renda declarada por Casares no intervalo analisado, superando com folga o salário oficial do cargo, estimado em cerca de R$ 27 mil mensais.

Os levantamentos financeiros também revelam uma série de retiradas em dinheiro feitas diretamente nas contas do São Paulo, em um total de 35 operações que somam aproximadamente R$ 11 milhões, realizadas entre o início de 2021 e o fim de 2025. Para os investigadores, o uso recorrente de dinheiro em espécie nesse volume é incomum e não se alinha às boas práticas administrativas esperadas de uma grande instituição esportiva.

Quem irá assumir o São Paulo com a queda de Casares?

Com a saída de Julio Casares da presidência do São Paulo, a condução do clube passou a ser feita de forma interina por Harry Massis Jr., que deve permanecer no comando até o fim de 2026. O período coincide com o calendário eleitoral da instituição, que prevê a escolha de uma nova diretoria ao término desse ciclo.

A sucessão para o triênio seguinte, entre 2027 e 2029, já estava programada para essa data. Pelo estatuto vigente, Casares não teria direito a disputar novamente o cargo, já que exercia o segundo mandato consecutivo, limite estabelecido pelas regras internas do clube.