Inquérito detalha o que Thales Machado fez antes de matar filhos
Investigação concluída pela PC-GO revela episódios da noite do crime: jantar com os pais, compra de gasolina, ligações insistentes pra ex e a despedida nas redes sociais
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A Polícia Civil de Goiás encerrou oficialmente as investigações sobre o caso do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, de 40 anos, que planejou e executou sozinho, segundo o inquérito, a morte dos dois filhos, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8 anos.
Após o duplo filicídio (homicídio praticado por pai em filho), o genro do prefeito Dione Araújo cometeu suícidio. Durante a coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (27), o delegado do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) que conduziu a investigação, Felipe Sala, apresentou detalhes sobre os momentos que antecederam ao crime, incluindo um último encontro de Thales Machado com os pais em companhia dos filhos.

O caso foi concluído como duplo homicídio seguido de suicídio. “Em momento algum houve indício da presença de uma terceira pessoa”, afirmou o delegado, ao destacar que todos os vestígios encontrados que confirmam essa dinâmica.
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De acordo com o delegado Felipe Sala, Thales Machado esteve na casa dos pais entre 19h10 e 20h10 naquela noite do duplo homicídio seguido de suicídio. Em depoimento, familiares revelaram que o secretário demonstrou “um carinho a mais” e um comportamento que, embora parecesse natural no momento, foi interpretado posteriormente como um tom de despedida.
Em seguida, o secretário seguiu com os filhos e foi até um posto de combustíveis, onde comprou quatro galões de gasolina. O frentista contou à polícia que ele aparentava nervosismo e chegou a errar a senha do cartão. “No momento em que foi realizar o pagamento da gasolina, ele errou a senha do cartão de crédito por diversas vezes, demonstrando ali um nervosismo e já uma premeditação do crime”, apontou o delegado durante a coletiva.
O pagamento via Pix aconteceu 8h21 e foi anexado ao inquérito, assim como imagens de câmeras de segurança que registraram os horários, em seguida, Thales Machado foi para casa com os filhos.
Ligações e discussões antes do crime
A partir do recebimento das imagens feitas pelo detetive particular, começaram ligações insistentes e discussões entre Thales e a mãe das crianças. A última chamada de vídeo ocorreu às 20h39. Depois, segundo o delegado, às 23h36 houve a última tentativa de contato. Ele teria enviado a ela uma imagem das crianças dormindo com ameaças.
Três minutos depois, às 23h39, Thales publicou nas redes sociais uma foto com os filhos e uma mensagem de despedida, que foi apagada logo em seguida.
O que mostram os laudos
As crianças foram baleadas na têmpora direita enquanto dormiam. “A posição em que os garotos se encontravam na foto é exatamente a posição em que receberam os disparos”, detalhou o delegado Felipe Sala.
De acordo com a perícia, não havia sinais de arrombamento, briga ou invasão no apartamento. A arma utilizada, uma pistola Glock calibre .380, estava registrada no nome do secretário.
Os laudos apontam que as crianças foram atingidas enquanto dormiam e foram resgatados ainda com sinais vitais. Thales morreu no local e Miguel não resistiu na mesma madrugada. Benício faleceu no dia seguinte, após cirurgia no Hospital Estadual de Itumbiara.
O delegado enfatizou que a morte imediata de Thales não indica a presença de um terceiro, já que os meninos chegaram a ser socorridos com vida pelo avô, o prefeito Dione Araújo, que entrou no apartamento, por volta da meia-noite, e não havia sinais de arrombamento.
Além disso, a apuração apontou que quatro galões de gasolina estavam espalhados no imóvel, ao lado de um isqueiro que não foi acionado.
Coletiva é encerrada com repúdio de fake news
O delegado Sala finalizou o caso com uma nota de repudio sobre informações falsas que circularam nas redes sociais. Ele desmentiu boatos de que o prefeito teria sofrido um infarto e negou que a esposa de Thales tenha escrito uma carta ou sofrido ameaças no funeral.
“Nada disso aconteceu. A família foi amparada e a investigação seguiu estritamente os fatos”, pontuou o delegado. Com o inquérito concluído, a Polícia Civil sugeriu o arquivamento do processo devido à morte do autor, conforme previsto no Código Penal.