Inquérito detalha o que Thales Machado fez antes de matar filhos

Investigação concluída pela PC-GO revela episódios da noite do crime: jantar com os pais, compra de gasolina, ligações insistentes pra ex e a despedida nas redes sociais

, em Uberlândia

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A Polícia Civil de Goiás encerrou oficialmente as investigações sobre o caso do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, de 40 anos, que planejou e executou sozinho, segundo o inquérito, a morte dos dois filhos, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8 anos.

Após o duplo filicídio (homicídio praticado por pai em filho), o genro do prefeito Dione Araújo cometeu suícidio. Durante a coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (27), o delegado do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) que conduziu a investigação, Felipe Sala, apresentou detalhes sobre os momentos que antecederam ao crime, incluindo um último encontro de Thales Machado com os pais em companhia dos filhos.

Secretário da Prefeitura de Itumbiara, Thales Machado
Secretário da Prefeitura de Itumbiara, Thales Machado, que atirou nos dois filhos e se matou na sequência – Crédito: @thalesmachadotm/Instagram/Reprodução

O caso foi concluído como duplo homicídio seguido de suicídio. “Em momento algum houve indício da presença de uma terceira pessoa”, afirmou o delegado, ao destacar que todos os vestígios encontrados que confirmam essa dinâmica.

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O crime aconteceu na residência da família, no dia 11 de fevereiro. De acordo com a investigação, Thales Machado atirou nos dois filhos e, logo depois, tirou a própria vida. Ele e o primogênito, Miguel, morreram ainda naquela data. Já Benício chegou a ser socorrido, passou por procedimento cirúrgico e permaneceu internado, mas não resistiu e faleceu dois dias após a ocorrência. De acordo com o delegado, as duas crianças ficaram agonizando após o pai cometer o suicídio.

A investigação confirmou que um detetive particular havia sido contratado por Thales Machado e teria avisado ao secretário às 19h, que tinha conseguido imagens da esposa com outro homem em São Paulo. As fotos só foram enviadas mais tarde, às 22h50.

De acordo com o delegado, o casal já estava em processo de separação havia cerca de três meses, conforme registros de conversas entre ambos. E que Thales Machado não estava concordando com o encerramento do relacionamento.

Thales Machado premeditou o crime, segundo a polícia

De acordo com o delegado Felipe Sala, Thales Machado esteve na casa dos pais entre 19h10 e 20h10 naquela noite do duplo homicídio seguido de suicídio. Em depoimento, familiares revelaram que o secretário demonstrou “um carinho a mais” e um comportamento que, embora parecesse natural no momento, foi interpretado posteriormente como um tom de despedida.

Em seguida, o secretário seguiu com os filhos e foi até um posto de combustíveis, onde comprou quatro galões de gasolina. O frentista contou à polícia que ele aparentava nervosismo e chegou a errar a senha do cartão. “No momento em que foi realizar o pagamento da gasolina, ele errou a senha do cartão de crédito por diversas vezes, demonstrando ali um nervosismo e já uma premeditação do crime”, apontou o delegado durante a coletiva.

O pagamento via Pix aconteceu 8h21 e foi anexado ao inquérito, assim como imagens de câmeras de segurança que registraram os horários, em seguida, Thales Machado foi para casa com os filhos.

Ligações e discussões antes do crime

A partir do recebimento das imagens feitas pelo detetive particular, começaram ligações insistentes e discussões entre Thales e a mãe das crianças. A última chamada de vídeo ocorreu às 20h39. Depois, segundo o delegado, às 23h36 houve a última tentativa de contato. Ele teria enviado a ela uma imagem das crianças dormindo com ameaças.

Três minutos depois, às 23h39, Thales publicou nas redes sociais uma foto com os filhos e uma mensagem de despedida, que foi apagada logo em seguida.

O que mostram os laudos

As crianças foram baleadas na têmpora direita enquanto dormiam. “A posição em que os garotos se encontravam na foto é exatamente a posição em que receberam os disparos”, detalhou o delegado Felipe Sala.

De acordo com a perícia, não havia sinais de arrombamento, briga ou invasão no apartamento. A arma utilizada, uma pistola Glock calibre .380, estava registrada no nome do secretário.

Os laudos apontam que as crianças foram atingidas enquanto dormiam e foram resgatados ainda com sinais vitais. Thales morreu no local e Miguel não resistiu na mesma madrugada. Benício faleceu no dia seguinte, após cirurgia no Hospital Estadual de Itumbiara.

O delegado enfatizou que a morte imediata de Thales não indica a presença de um terceiro, já que os meninos chegaram a ser socorridos com vida pelo avô, o prefeito Dione Araújo, que entrou no apartamento, por volta da meia-noite, e não havia sinais de arrombamento.

Além disso, a apuração apontou que quatro galões de gasolina estavam espalhados no imóvel, ao lado de um isqueiro que não foi acionado.

Coletiva é encerrada com repúdio de fake news

O delegado Sala finalizou o caso com uma nota de repudio sobre informações falsas que circularam nas redes sociais. Ele desmentiu boatos de que o prefeito teria sofrido um infarto e negou que a esposa de Thales tenha escrito uma carta ou sofrido ameaças no funeral.

“Nada disso aconteceu. A família foi amparada e a investigação seguiu estritamente os fatos”, pontuou o delegado. Com o inquérito concluído, a Polícia Civil sugeriu o arquivamento do processo devido à morte do autor, conforme previsto no Código Penal.