Ex-diretora é condenada a devolver mais de R$ 500 mil em Ituiutaba
Tribunal de Contas identifica que verba da educação foi usada em contas pessoais e para compra de eletrônicos entregues na casa de ex-diretora
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Documentos de transporte revelaram que equipamentos eletrônicos comprados com dinheiro da escola, incluindo uma Smart TV de 50 polegadas, um projetor e um sistema de som, nunca chegaram à instituição de ensino. Em vez disso, foram entregues diretamente na residência da então diretora.
O sucessor na gestão da unidade confirmou que, durante o inventário físico, os bens não foram encontrados. Além disso, não havia qualquer registro oficial de que o colegiado escolar tivesse aprovado ou recebido os materiais.
Pix e transferências para contas pessoais
O relator do processo, conselheiro Alencar da Silveira Junior, destacou que a fraude não se limitou aos bens físicos. A análise bancária comprovou uma série de irregularidades financeiras:
- Movimentações suspeitas: Saques em espécie e transferências via PIX para contas de terceiros e da própria gestora.
- Falta de lastro: Pagamentos realizados sem qualquer nota fiscal ou comprovante de serviço prestado.
- Depósitos irregulares: Notas fiscais pagas com depósitos em dinheiro vivo, dificultando o rastreio da origem do recurso.
“Cabe ao gestor demonstrar a correta aplicação dos recursos recebidos. Quando isso não ocorre, a lei presume o prejuízo ao patrimônio público”, explicou o relator.
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Ex-diretora é condenada a devolver mais de R$500 mil
Somando os valores de ressarcimento e as sanções punitivas, o montante total ultrapassa a marca de R$ 694 mil.
A ex-diretora foi condenada a devolver individualmente mais de R$ 515 mil, além de responder solidariamente, ou seja, em conjunto, pela restituição de outros R$ 69 mil que foram transferidos de forma irregular para outra beneficiada.
Além da obrigação de devolver o dinheiro aos cofres da educação, o Tribunal aplicou multas como punição pela má conduta administrativa. Ela foi penalizada com uma multa de R$ 90 mil, enquanto a segunda envolvida deverá pagar R$ 20 mil.
Somente após o pagamento integral desses valores e a comprovação da regularidade perante o Estado é que o processo de contas poderá ser considerado encerrado na esfera administrativa.
Desdobramentos na Justiça e na carreira
Além do prejuízo financeiro, as consequências podem ser definitivas para a carreira das envolvidas. O Tribunal propôs a inabilitação das responsáveis, o que as impediria de ocupar cargos públicos ou funções de confiança no futuro.
O caso agora será encaminhado ao Ministério Público, que poderá abrir uma ação criminal. Pela legislação brasileira, a conduta se enquadra no crime de peculato (apropriação de bem público por funcionário), que prevê penas de reclusão. A Secretaria de Estado de Educação e a Controladoria-Geral do Estado também foram notificadas para aplicar as sanções administrativas cabíveis.